Ela era a pessoa mais difícil de agradar do mundo...
Não. Não era.
Para deixar ela feliz, bastava algumas gomas coloridas
brigadeiro e bexigas em tons pastéis.
Poemas escritos com garranchos de pressa num papel de pão
e o coração entregue.
Mas não como quem atira uma pedra na janela,
de forma violenta, que estilhaça o vidro.
Mas como quem segura uma flor.
Que carrega ela cautelosamente,
desde a loja até o destino final.
Para que nenhuma pétala se perca no caminho.
-ICS
maio 09, 2012
maio 01, 2012
Da política que me consome
E eu, que outrora escrevia feliz e empolgada
o meu projeto final
Não consigo pensar em mais nada.
Jango, Costa e Silva, Castelo Branco
Militares, burguesia, Igreja Católica
Torturas, prisões, imprensa falha...
Nada segura minha atenção.
Minha cabeça, teimosa, insiste em manter o foco
em algo que não se enquadra.
Não agora, não pra isso.
E eu faço força para deixar de lado...
Mas é impossível fingir que de 1930 a 1945
é irrelevante, é indiferente
quando no fundo
é só o que me importa.
-ICS
Torturas, prisões, imprensa falha...
Nada segura minha atenção.
Minha cabeça, teimosa, insiste em manter o foco
em algo que não se enquadra.
Não agora, não pra isso.
E eu faço força para deixar de lado...
Mas é impossível fingir que de 1930 a 1945
é irrelevante, é indiferente
quando no fundo
é só o que me importa.
-ICS
Quisera eu levar
Mas a mala
não consigo fechar.
Por mais que insista ou tente.
Acho que vou me virar (não muito) bem
E nunca mais
falarão que eu não sei assoviar.
-ICS
abril 30, 2012
Do assovio que não escuto
E ao invés de engarrafar a saudade
Travo uma batalha interna e diária.
Vou à luta!
da minha alma e do meu coração...
Tento derrubar a injustiça dos meus sentimentos
que insistem em prevalecer sobre os pensamentos.
Prevalecem mais que a poesia
essa, que sempre dominou a minha vida.
essa, que sempre dominou a minha vida.
E eu já não sei nem como proceder.
Não sei assoviar
e pra foder de vez
esqueço-me.
Toda hora, todo tempo.
Não entendo...
Toda hora, todo tempo.
Não entendo...
Perdoe-me:
por ora não terei mais bombons para roubar.
Let it be.
-ICS
-ICS
abril 29, 2012
Das dores que eu sinto
Sem ele para brigar.
E para acalmar
Somente uma carteira de cigarro
(por dia)
e a morte lenta que ela traz.
Somente uma carteira de cigarro
(por dia)
e a morte lenta que ela traz.
-ICS
Do muro que construí
Que constrói um muro
para te livrar dos maus.
O problema disso
É que também afasta os bons.
Os assusta.
E eles fogem.
-ICS
Desconvencional
E ela chegou em casa com um buraco no peito
decidida a fazer uma panela de brigadeiro
e assistir PS Eu Te Amo.
Abriu uma cerveja,
colocou os pés na mesinha de centro
e assistiu UFC.
Enquanto acendia seu cigarro
tinha certeza que não era uma mulher convenciona.l
E nem queria ser.
-ICS
abril 14, 2012
E por falar na minha vida
E quando eu estou muito, muito triste
Eu me tatuo
Eu fumo
Tomo um whisky
E mando tudo pra puta que pariu.
-ICS
Eu me tatuo
Eu fumo
Tomo um whisky
E mando tudo pra puta que pariu.
-ICS
Olhos secos
E se você guardasse
Todas essas minhas lágrimas que você derramou
num potinho
Trocasse-as por corações de açúcar
E me devolvesse um dia?
Um dia...
Um dia...
abril 13, 2012
Náufrago
Um barco de papel
foi o presente que ganhei
daquele moço.
Mas barcos de papel,
apesar de n'água flutuarem
quando muito tempo nela, afundam.
Viram nada.
Assim como eu:
na saliva dos teus beijos.
-ICS
-ICS
Sarau
Poesia, meia luz, amigos e um violão.
Uma gaita
Um chocalho que parece um ovo.
Castanholas
Nada do mais do mesmo.
E felicidade. Muita felicidade.
Uma gaita
Um chocalho que parece um ovo.
Castanholas
Nada do mais do mesmo.
E felicidade. Muita felicidade.
abril 12, 2012
E por falar no que eu vi...
Enquanto muda, ouvia Jobim e tirava o esmalte descascado as unhas.
Por coincidência, aquele era o esmalte que ele achava horrível.
Mas ela gostava tanto...
Crueldade era pouco para classificar a atitude dele
Aquela música que arrancou risadas de todos os outros
Aquela música que arrancou risadas de todos os outros
Foi como um punhal no coração dela. Mas só ela sabia.
Só ela sentia
Só ela viu, a maldade por trás daqueles versos ‘divertidos’
Só ela sentia
Só ela viu, a maldade por trás daqueles versos ‘divertidos’
Só ela chorava, agora, sozinha no quarto.
Ouvindo por milhões e milhões de vezes a poesia
que declamou com um sorriso no
rosto, olhando para ele,
Enquanto no lugar do seu coração:
Apenas um vazio.
E a dor da humilhação.
Apenas um vazio.
E a dor da humilhação.
abril 11, 2012
E por falar em opinião
Enquanto você morre pelo seu deus,
eu me proponho a morrer para que todas as pessoas vivam em pé de igualdade.
Enquanto você canta, dança,grita e seilá mais o quê,
eu luto por uma sociedade justa.
Para que os teus, num futuro talvez próximo,
não passem necessidade por que a minha atitude fez a diferença.
Vai orar vai.
Que eu vou tentar arrumar toda essa cagada;
Se só rezar mudasse o mundo não existia gente passando fome.
Nem morrendo em filas de hospitais.
Nem analfabetas, nem moradores de rua...
abril 09, 2012
E por falar em perda I
É difícil perder pessoas. Ainda mais, quando as
perdemos pra sempre.
Por mais que saibamos que a morte é a única certeza da vida, sempre é difícil.
Por mais que saibamos que a morte é a única certeza da vida, sempre é difícil.
Nós, seres humanos, somos a espécie que pior sabe lidar com a morte. E talvez a única que tenha certeza dela.
Hoje eu vi pessoas chorando, desmaiando, brigando, gritando e em estado de choque. Mas nada disso fez o defunto ressuscitar e muito menos, levantar pra dar um olá.
Ele continuou ali, inerte. Sustentando seu farto bigode. Bigode esse que antes servia de moldura para um largo sorriso. Hoje, apenas era um chumaço de pelos no rosto morto de um homem.
É difícil lidar com a morte, como é. Mas não adianta, meu amigo, vir chorar depois que o espírito abandonou a carcaça. Não adianta prestar homenagens e gritar que ama, depois que o que resta é apenas um corpo já desfalecido.
Por isso meus amigos, visitem seus entes enquanto respiram,sentem e podem falar com você. Falem o que sentem e o quanto se importam enquanto eles podem saber de todos os teus sentimentos por eles.
E no meu velório (esse dia vai chegar) eu não quero absolutamente NINGUÉM que nunca me visitou/ligou/faceboqueou ou algo do gênero. Nunca se importou quando era vivo, que que quer pagar pau depois de morto?
abril 07, 2012
E então hoje é o verdadeiro dia do jornalista. São tantos
distribuídos no decorrer do ano que o verdadeiro dia passa batido. O Dia do
Jornalista é comemorado dia 7 de abril no Brasil, em homenagem ao médico e
jornalista João Batista Líbero Badaró, brasileiro de origem italiana, que
morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de
1830. O fato ocorreu durante uma passeata de estudantes em comemoração aos
ideais libertários da Revolução Francesa. Além de, ser o dia da fundação da
Associação Brasileira de Imprensa.
Histórias a parte, hoje é dia de comemorar o quê?
Comemorar a censura invisível? Comemorar o número
infinitamente grande de profissionais robôs? Comemorar a imprensa de direita
que manda no país? Comemorar a discriminação interna com algumas editorias? Comemorar
o baixíssimo salário?
É difícil ser jornalista quando as instituições te ensinam técnicas
utópicas de jornalismo e, que a meta da sua vida deve ser entrar num grande
veículo aonde, na maioria das vezes a realidade e a informação é manipulada/manipuladora.
Um profissional realmente ÉTICO e que traga a verdade à tona. Mostrar realmente
o que está acontecendo sem pender pra lado nenhum? Isso sim é impossível. Para
mim, o grande problema é que, o lado mostrado geralmente pende para o interesse
da minoria rica e não, da maioria trabalhadora.
Ser um jornalista militante então? É o pedido do seguro
desemprego. Ou a (rara) contratação por algum sindicato. É difícil hoje em dia,
ser um jornalista com opinião própria quando existem interesses dos grandes
patrões por trás de tudo que o veículo transmite. É quase impossível resgatar
os valores históricos da profissão, como jornalistas com posicionamento e
atuação política.
Tudo isso é realmente muito difícil.
Mas nunca gostei de nada que é fácil.
Mas nunca gostei de nada que é fácil.
E acredito que, mesmo com todas as dificuldades, ainda há
esperança.
E eu a busco nos olhos de cada pessoa que eu entrevisto. Seja a
pauta que for.
Em cada (raríssima) denúncia que é feita através de qualquer
veículo.
Em cada matéria bem feita.
Em cada matéria bem feita.
Em cada boa história que passa despercebida pelos olhos quase de todos: menos ao olhar atento dos verdadeiros jornalistas.
Parabéns a todos os jornalistas que acessam o meu blog.
março 30, 2012
trintademarçodedoismiledozeII
Seja para ir à aula, trabalhar ou viajar para visitar
alguém. E hoje, não foi diferente.
Nos meus fones, uma música lenta. Assim como o meu estado de espírito.
Nas mãos, meu bloquinho e meu celular.
Na mente, nada.
Nos meus fones, uma música lenta. Assim como o meu estado de espírito.
Nas mãos, meu bloquinho e meu celular.
Na mente, nada.
Então, alguém tocou meu braço, olhei sem pensar em nada e
tirei meus fones.
Era um moço de olhos azuis. Um azul lindo.
Era um moço de olhos azuis. Um azul lindo.
Tão lindo que era triste.
Tão triste
que era lindo.
Assim como todos os sinais que marcavam seu rosto jovem.
Assim como todos os sinais que marcavam seu rosto jovem.
Sinais de tristeza. De
sofrimento.
Na mão esquerda, uma aliança de um dourado quase amarelo, bem fina.
E na esquerda, uma caixa de gomas.
Na mão esquerda, uma aliança de um dourado quase amarelo, bem fina.
E na esquerda, uma caixa de gomas.
“É um real, moça.”
Abri minha carteira, tirei uma moeda dali e lhe entreguei.
Em troca, um pacotinho dos doces.
E ele continuou oferecendo a todos que estavam no ônibus.
Pessoas que estavam indo para suas casas, suas escolas, seus trabalhos.
Abri minha carteira, tirei uma moeda dali e lhe entreguei.
Em troca, um pacotinho dos doces.
E ele continuou oferecendo a todos que estavam no ônibus.
Pessoas que estavam indo para suas casas, suas escolas, seus trabalhos.
E mais ninguém
comprou.
Um real. Era só esse o preço das balinhas que eu comprei com uma simples moeda.
Um real. Era só esse o preço das balinhas que eu comprei com uma simples moeda.
Mas eu queria tanto que ele soubesse que naquela moeda que
lhe entreguei, estava depositada toda a minha esperança de que ele conseguisse
sustentar a esposa que deve ter uma aliança brilhante igual à dele. E talvez os filhinhos
que eles possam ter. E quem sabe cães, pássaros ou gatos que vivam lá também.
Ou ninguém. Pois talvez o aro dourado fosse só mais um anel.
Ou ninguém. Pois talvez o aro dourado fosse só mais um anel.
Aquela era uma das minhas últimas moedas.
Mas naquela moeda, tinha toda a minha admiração por aquele
trabalhador.
ICS
ICS
trintademarçodedoismiledozeI
passei pelo trabalhador que sob o sol quente do outono
colocava asfalto novo na rua.
Ele estava suado e me olhou sorrindo.
No bolso dele, um pente e um garfo.
Em suas mãos, uma pá e toda a sua dignidade.
ICS
março 22, 2012
Quando a revolta é falha
"Cansei!
Vou parar de trabalhar e vou trancar a faculdade.
Comprarei uma Kombi e sairei pelo país vendendo brincos e
colares.
Viverei sem regras e sem rotina. Uma riponga no século da
prisão digital.
Mas eu não sei dirigir. Muito menos fazer brincos e colares.
Me vê um café bem forte, por favor?
(Abre um arquivo em branco de Word)
Está na hora de voltar ao trabalho."
-ICS
Despedida
Prezados senhores,
Eu, Ingra Costa e Silva, brasileira, solteira, RG XXXXXXXX , CPF XXXXXXXXXX, Título de Eleitor XXXXXXXXXX, Zona XX, SeçãoXXX, residente e domiciliada na Rua XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX declaro que não me sinto satisfeita com as mudanças programáticas ocorridas no PT. O Partido dos Trabalhadores que em sua fundação pregava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade igualitária, discursa junto e igualmente o PMDB. Alianças com setores que outrora eram combatidas, agora faz-se natural na rotina do partido. Ver ícones que por vezes representaram toda a ideologia que tenho, da igualdade social, do fim da repressão agora abraçados com José Sarney e Renan Calheiros. O glorioso partido do povo, que ajudou a derrubar Fernando Collor, agora governa juntamente com ele e seu partido.
Eu, Ingra Costa e Silva, brasileira, solteira, RG XXXXXXXX , CPF XXXXXXXXXX, Título de Eleitor XXXXXXXXXX, Zona XX, SeçãoXXX, residente e domiciliada na Rua XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX declaro que não me sinto satisfeita com as mudanças programáticas ocorridas no PT. O Partido dos Trabalhadores que em sua fundação pregava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade igualitária, discursa junto e igualmente o PMDB. Alianças com setores que outrora eram combatidas, agora faz-se natural na rotina do partido. Ver ícones que por vezes representaram toda a ideologia que tenho, da igualdade social, do fim da repressão agora abraçados com José Sarney e Renan Calheiros. O glorioso partido do povo, que ajudou a derrubar Fernando Collor, agora governa juntamente com ele e seu partido.
Hoje, o partido vive o auge da politicagem, da teoria do
“uma mão lava a outra”, da troca de favores. A ética não existe mais. O povo é
enganado, é iludido com migalhas como o bolsa Família, que deveriam (e poderiam)
auxiliar de forma decente o povo brasileiro, em vez da miserável quantia que
lhes é oferecida. Ou ainda o PROUNI, que nada mais é do que uma falta de
consideração com os estudantes. A maioria das bolsas é de 50 por cento, sendo
que o aluno ou financia o resto, ou vive passando necessidade. Pois não é só a
mensalidade que ele tem que pagar: é o alimento caro, é o valor injusto da
passagem de ônibus, é o superfaturamento dos aluguéis, é o jatinho de político
corrupto. É tudo. Porquê ao invés de beneficiar as privadas com o PROUNI, o
governo não constrói mais universidades federais? Mas quando falo construir,
não me refiro apenas à sede física, nem ao aumento de número de vagas nas já
existentes Universidades Públicas, mas na estrutura como um todo. Professores
qualificados, sede física que suporte o número de alunos, RU digno, casa do
estudante.
Sem contar, ainda, com a alienação de muitos integrantes do
partido, principalmente a juventude. Ao participar do CONUNE pude ver
claramente como os ‘militantes’ do PT se comportam. Muitos dos que encontrei
por Goiânia, me disseram que tinham viajado de graça, com tudo pago e ainda
haviam ganho crachás de delegados. A maioria, nem sabia o que estava
acontecendo. Apenas faziam o que lhes havia sido ordenado: apoiar a UJS e falar
a palavra de ordem “Direita, Esquerda” apontando, na ordem, para a oposição e
logo mais para si. Vivi ainda um momento de tensão, quando integrantes da
corrente CNB partiram pra cima de quem estava na bancada reservada a Juventude
da Articulação de Esquerda que gritavam uma palavra de ordem pedindo 10% do PIB
pra educação. Pobre AE: possui uma ideologia tão verdadeiramente de esquerda, é
uma pena isso ficar apenas na base.
Vejo a deficiência da formação dos militantes que em momento
algum são incentivados a se formar politicamente lendo, discutindo, debatendo.
Não há convites para atividades do partido senão quando alguma votação está em
jogo ou assunto interno de correntes. Não há interesse da base em agir, se não
tiver um CC em jogo. O bem da comunidade? Pra que , se o ‘militante’ pode ser
secretário de alguma coisa qualquer que não vai fazer nada e ganhar dinheiro.
De filiação era apenas um ano, mas de lutar pelo suposto
mesmo ideal é uma vida inteira. Não me sinto mais a vontade fazendo parte da
sigla. Não me sinto mais representada por um partido que se diz dos
trabalhadores mas na verdade, defende a burguesia do país. Abraça empreiteiros
milionários desconsiderando o povo, como no caso de Belo Monte. Que
desconsidera os direitos humanos e de permanência para favorecer um milionário
que, inclusive deve cerca de R$15 milhões de IPTU, como é o caso de
Pinheirinho. Um governo que apóia a barbárie. Eu não me sinto representada por
um partido que está a tanto tempo no governo e que fez tão pouco para o povo.
Eu não me sinto representada por governantes que não vão a luta, que não
colocam a cara pra bater se for pra defender a massa e que se contenta com
tramóias e troca de favores. Desculpe-me, mas é por esses e muitos outros motivos
que eu declaro minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT).
Passo Fundo, março de 2012.
março 11, 2012
dezdotrêsdedoismiledoze
"E então vem aquele jogo de empurra empurra para
rotular o culpado.
Ouvir um descontento nunca é possível.
Isso cansa. Isso abala.
Mexe tanto que você perde as forças.
Chora pra dentro.
Ri para fora.
Um riso de desespero."
Foi o que ela me disse, enquanto andava pela rua de pedra ainda quente por causa do sol.
Um carro parou.
Ofereceu 50.
Ela foi trabalhar.
E eu, dormir.
Boa noite.
Ouvir um descontento nunca é possível.
Isso cansa. Isso abala.
Mexe tanto que você perde as forças.
Chora pra dentro.
Ri para fora.
Um riso de desespero."
Foi o que ela me disse, enquanto andava pela rua de pedra ainda quente por causa do sol.
Um carro parou.
Ofereceu 50.
Ela foi trabalhar.
E eu, dormir.
Boa noite.
janeiro 02, 2012
CINCO MINUTOS
Você já parou pra pensar como cinco minutos podem fazer
diferença na sua vida? Quantas coisas, quantos destinos, quantas vidas podem
ser mudadas ou alteradas em cinco minutos?
São 300 segundos. Tic tac. Tic Tac. Um cachorro pode latir
quase seissentas vezes nesse tempo. Se a torneira ficar aberta, são cerca de
doze litros de água que vão embora. E uma casa, pode ser consumida por chamas
neste tempo. Você pode saber a história da vida de uma pessoa em cinco minutos.
Enquanto o relógio cronometra este tempo, os dois mendigos parados na frente da
festa passam a ser o Alaércio e o Sebastião. A tia que faz o café, confessar
que quer escrever um livro de poemas um dia. O seu marido, ceder à traição.
Em cinco minutos você pode conhecer o amor da sua vida. Como
pode passar a odiá-lo também. Em cinco minutos você pode ficar sem ar de tanto
rir, ficar bêbado e pode cair e levantar várias vezes. Por mais que levantar
lhe ocupe mais tempo, você sempre vai levantar. Acredite. Cinco minutos podem
ser usados para tomar uma decisão. Pode ser o tempo necessário para se
arrepender dessa decisão ou o tempo de segurar o choro por causa dela.
Em 300 segundos você pode seduzir alguém. Pode dar motivos
para que essa pessoa te ame ou te odeie. Te odeie. Sinta repulsa. E na pior das
hipóteses, seja indiferente. Tudo isso nesse pequeno intervalo de tempo. Cinco
minutos passam muito rápido enquanto dormimos, comemos, nos divertimos, estamos
com quem amamos. Mas cinco minutos também passam bem devagar, quando estamos na
missa, sentimos fome, ouvimos sermão, falamos com o chefe ou quando nos
machucamos. Ou quando nos machucam.
A dor? Ah... essa aproveita bem o lancinante tic tac do
relógio.
De maneira que chega a dar eco.
Tic tac.
Tic tac.
Tac.
Tac.
dezembro 30, 2011
Um ano de revoluções
Revolução árabe, 15.O, ocupações de reitoria. Mas mais que
isso: uma revolução na minha vida
Eu sei que todo final de ano é a mesma coisa, o pessoal começa
com suas retrospectivas do ano que passou e publicam em algum lugar da
internet, como se fosse interessante para os outros saberem disso. Para os
outros pode não ser, mas para quem faz, é uma espécie de desabafo, uma
necessidade de relembrar o que aconteceu de bom e também, o que aconteceu de
ruim. Reafirmar sentimentos que já existiam ou passaram a existir e extinguir
aqueles que foram desvalorizados. Reafirmar o que fez bem e analisar o que fez
mal, para que não aconteça novamente. E é nesse intuito que eu, após abandonar
meu blog por meses venho traçar a minha retrospectiva de dois mil e onze.
Posso dizer que foi um ano de grandes emoções. O início do
ano serviu para que ex amores mostrassem quem verdadeiramente eram e me explicassem porque eram ex. Vi a face mais obscura da injustiça ao ouvir absurdos e ameaças
da pessoa a quem dediquei boa parte da minha vida. A pessoa que por muito tempo
foi o meu Norte. É uma queda cruel. Mas nada que uma gordinha serelepe não
consiga se recuperar.
Aproveitei-me desse rompimento por completo para dedicar-me
ao que muitas vezes fui privada: a luta. Não só a luta física (querido Muay Thai
que precisei abandonar de novo) mas a luta pela sociedade ideal. Pelo que eu
acho certo, por uma sociedade igualitária, sem preconceitos, sem miséria,sem
corrupção. Esse caminho da militância foi meio tortuoso no início. Pensei que
um partido político dito “de esquerda” seria a melhor opção para militar. Ledo
engano, pois com o passar do tempo percebi que os interesses que eram tratados
ali não eram os do povo, mas de uma minoria burguesa que ditava as regras
conforme estava o vento do governo. E como tanto federal como estadual são
deles, as minhas lutas que iam de encontro aos interesses/metas/idéias deles,
fiquei patinando, sem sair do lugar. Uma militante solitária.
Então, conheci pessoas que tinham os mesmos propósitos que
eu e surgiu o Nada Será Como Antes. Aonde as discussões foram aprofundadas e
uma chapa para concorrer ao DCE da UPF foi montada. As eleições foram uma
palhaçada, contra o estatuto, com ameaças contra os nossos apoiadores e integrantes
da chapa, mas no fim, saímos todos vivos e sem desistir da luta. Pode parecer
piada, mas levado para nível nacional sabemos que historicamente, a União da
Juventude do Sarney já matou por menos.
Eleições essas que além de me acrescentarem muito politicamente, acrescentou sentimentalmente. Conheci pessoas que nunca conheceria se não fosse pelo movimento. Pessoas com quem tive conversas que duravam horas sobre a situação política do país, mas que também fiz festas memoráveis que merecem até hoje um cantinho no baú das melhores memórias.
Eleições essas que além de me acrescentarem muito politicamente, acrescentou sentimentalmente. Conheci pessoas que nunca conheceria se não fosse pelo movimento. Pessoas com quem tive conversas que duravam horas sobre a situação política do país, mas que também fiz festas memoráveis que merecem até hoje um cantinho no baú das melhores memórias.
Conheci amigos, companheiros de luta, amigos-companheiros de luta, amigos-companheiros de luta-namorado.Como assim? Assim mesmo! Um dos militantes que veio de fora (no caso, do DCE da UFRGS) para nos ajudar, se mostrou o cara mais legal que eu já conheci na vida. Que despertou em mim, sentimentos que eu nem sabia que poderiam existir, tanto pelos outros, quanto por mim. Sabe, dos meus poucos anos de vida aprendi que não é legal ficar projetando demais a vida ao lado de outra pessoa, pois caso não dê certo, a frustração e a decepção aparecem de forma ainda mais dolorosa. Mas ele me ensinou muita coisa e se eu pudesse escolher alguém, mesmo com todos os defeitinhos, seria ele. Enfim.
Na metade do ano teve o CONUNE. Experiência que serviu ara
mostrar o quanto o Movimento Estudantil pode ser corrompido. A UNE que muito
foi de luta nas décadas passadas, hoje não representa o estudante e a sua luta.
É capacho do governo e pior ainda, se envolve em escândalos que comprovam o uso
de verbas destinadas ao movimento em festas particulares. Esses são os que
assumem cadeiras do senado, das câmaras e que fazem showmícios enquanto
embolsam o seu dinheiro. Esses são os políticos de amanhã.
A experiência do CONUNE serviu (além de testar meu tempo
máximo sem fazer chapinha) para mostrar que o partido que eu já muito havia
defendido, que na sua criação ditava que apenas o socialismo era a saída para
uma sociedade justa, de fato não me representava mais.
E um debate sobre homofobia organizado pelo DAALL, um dos poucos DA’s de luta da UPF, abriu meus horizontes. Sentimentos que há muito vinham sendo reprimidos encontraram força quando conheci algumas pessoas que estavam lá. Fui convidada a participar de uma reunião de um tal grupo que estava surgindo depois do debate. Aquele que desencadeou em mim a coragem de assumir que gostava tanto de homens quanto de mulheres também foi o fomentador para que muitas pessoas sentissem a necessidade de militar pela causa LGBT.
Nasce então o Plural. Um coletivo que com apenas três meses de vida, já tem visibilidade nacional. Estamos começando, engatinhando, mas é claro para todos que o futuro é nosso.
Tiveram ainda eleições para Diretório Acadêmico. Primeiro o DAALL, que o PCdoB teimosamente tenta ocupar há anos, mas como tal partido e luta não cabem no mesmo espaço, óbvio que a vitória foi nossa. Uma vitória gostosa não só pelo fato de ser uma vitória, mas por ser uma vitória sobre pelegos declarados.
Depois ainda, eleições para o DAINFO, chapa única, mas nossa
também. E na mesma época, eleições para
o DACG, na FAC, meu prédio. A Chapa (esse era o nome mesmo. Hehe) surgiu
naturalmente, com pessoas que queriam reerguer o DA após tanto tempo fechado e,
quem sabe, zerar as dívidas que a penúltima gestão deixou. Dívidas descabidas e
algumas, inclusive, pessoais dos representantes. Exemplo claro de que o mau
caratismo não poupa nem colegas e companheiros de curso. Tivemos uma vitória
digna, mais que o triplo dos votos que a outra chapa. Outra chapa essa, que
ganhou “auxílio” do nosso DCE pelego. E
mais uma vez a vitória teve um gosto acentuado. Mais uma vez quem é de luta
MESMO ganha e deixa a pelegada chupando o dedo.
Ainda o DCE da UFRGS, que eu quase morri de nervoso por que
não podia fazer nada daqui de Passo Fundo a não ser campanha via internet. Mas que
foi uma das várias vitórias saborosas que tivemos. Que ganhou das
pseudo-esquerdas e da direita assumida, essas que diziam que o lugar do negro é
na cozinha do RU.
E o jornalismo?
Ah o jornalismo... Comecei o ano com uma crise de curso/profissão. Pensei em desistir, trancar a faculdade, não era aquilo que eu queria.
Ah o jornalismo... Comecei o ano com uma crise de curso/profissão. Pensei em desistir, trancar a faculdade, não era aquilo que eu queria.
Eu que trabalhava de secretária num lugar aonde tinha muitos
amigos, sofri mais uma vez com a punhalada da falsidade. Um destes “amigos” ,
por motivos ainda desconhecidos, agiu de maneira com que eu fosse demitida. Foi
tenso na época. Sempre fui eu que paguei
as minhas contas e sem emprego, trancar a faculdade não seria só pela crise de
identidade.
Eis que surge um estágio, para jornal impresso. O sonho, do
início da faculdade virava realidade. Independente da editoria, independente de
se era estágio, eu estava dentro de uma redação e era isso que importava. Hoje,
não troco por nada! O salário é pouco?É. Tive que financiar a faculdade porquê
com a bolsa do estágio não ia rolar? Sim. Mas nem to. É aquilo que eu quero e
por isso que eu estou ali.
Conheci profissionais maravilhosos ali dentro e nos quais tento me espelhar todos os dias ( mas fica em off pra não se acharem) e tenho certeza que tiro mais conhecimentos dali do que da própria academia.
Conheci profissionais maravilhosos ali dentro e nos quais tento me espelhar todos os dias ( mas fica em off pra não se acharem) e tenho certeza que tiro mais conhecimentos dali do que da própria academia.
Momentos
Conhecer o pessoal do O Teatro Mágico foi um sonho realizado. Um dos momentos mais felizes da
minha vida. Que eu certamente NUNCA vou esquecer.
Os almoços memoráveis da FAC. Cada um com uma história para
ser contada durante anos.
A perda de um mestre. Uma dor que eu nunca tinha sentido.
As milhões de mudanças de cabelo que eu fiz.
Os amigos de POA, que ouviram muito de mim antes de me
conhecer. Cada um com a sua loucura, digo, singularidade. Todos (ou quase
todos) especiais e que já me conquistaram.
Seja na minha barraca ou na tua, com bilisquili ou não. Só quero que me diga uma coisa:
O que é que tu achou do Plínio?
Seja na minha barraca ou na tua, com bilisquili ou não. Só quero que me diga uma coisa:
O que é que tu achou do Plínio?
Sei que muita coisa ficou de fora, mas não é menos relevante.Deve ser levado em consideração que são 06:36 da manhã e que depois que eu postar isso, que eu vou dormir.
E para o ano que vem, ouso parafrasear Walt Whitman:
“A pé e de coração
leve enveredo pela estrada aberta
Saudável, livre, o mundo à minha frente
À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira
Daqui em diante, não peço boa-sorte. Boa-sorte sou eu...”
Saudável, livre, o mundo à minha frente
À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira
Daqui em diante, não peço boa-sorte. Boa-sorte sou eu...”
Que a poesia prevaleça na vida de todas as pessoas.
Um Feliz 2012. Uma feliz vida. Viva. Seja.
Let it be.
Um Feliz 2012. Uma feliz vida. Viva. Seja.
Let it be.
outubro 18, 2011
dezenovedodezdedoismileonze
Tem dias que os meus sentimentos saltam pelos olhos. Ainda hoje isso aconteceu. Enquanto digitava mais um texto e fumava mais um
maço de cigarros, liguei o velho rádio que tenho ao lado da máquina de
datilografar e ouvi o trecho “às vezes dá vontade de jogar tudo pro alto e
sumir, mas sei bem quem ta comigo e não deixa eu desistir” lembrei de muitos
flashs da minha vida, que definitivamente, só superei porque minha mãe Oxum
nunca me abandonou. E não ia ser agora... Apesar das lágrimas, a fumaça ainda me distraía , como se dançasse a minha volta...
E o conto de fadas agora acabou. Ninguém mais nesse mundo meu filho- acredite!- luta por amor.
setembro 06, 2011
A poesia prevalece
Quando show
e espetáculo viram uma coisa só
Passo Fundo.
25 de agosto de 2011. Manhã nublada, fria e fechada. Eu tremia. Um dos dias que
eu mais esperei na minha vida estava prestes a se tornar realidade.
Quando eu ouvi “Senhoras e sem dores, respeitável público pagão, bem vindos ao Teatro Mágico” minhas pernas amoleceram. Fernando Anitelli entrou no palco, com o rosto mascarado pela pintura característica da trupe. Quando ele se postou na minha frente com aquela capa de veludo vermelho e disse a frase que eu mais ansiava ouvir, admito, uma lágrima rolou pelas bochechas gordinhas e cheias de blush.
Junto comigo
estavam os meus Camaradas d’água Mateus e Vanne que, assim como eu , evocaram
da sombra uma inquietude que só acalmava com o som da trupe. Partimo-nos
em vários enquanto acompanhávamos as frases do show que pareceu tão curto,
enquanto a porta do camarim virou ponto de conversa ou quando saímos como se
fôssemos grandes amigos (acho até que somos).
Eu precisava pegar algumas falas do Fernando para fazer uma matéria. Ser profissional naquela hora exigiu bastante esforço. Enquanto eu perguntava ou escutava atentamente o que ele falava, o microfone chegava escorregar na minha mão, de tanto que ela suava. Anitelli respondia com naturalidade e com gosto em dar respostas com conteúdo tremendo. Mais que um cantor, sem dúvida. Um cara, um papo, um sopapo, um papelão.
Anitelli se mostrou simpático e muito acessível. Respondeu calma e pausadamente com riqueza de detalhes todas as questões por mim levantadas. Contou de onde surgiu a idéia da trupe, gesticulava o tempo todo enquanto me falava a maneira como tantos raros foram se agregando e me fazia rir com seu tique nervoso. As 'quebradinhas' de pescoço e piscadas apenas com o lado direito dissiparam todo o meu nervosismo.
Sem contar a minha emoção, quando Fernando viu a minha tatuagem que tem escrito "A poesia prevalece", na panturrilha e disse que demonstrações como essa são de uma gratificação enorme para ele e o quanto essa frase é importante para ele.Uma filosofia de vida. Assim como para mim.
Foi um dos dias mais felizes da minha vida, tenho certeza. E só queria dividir com vocês.
Certamente não é dos meus melhores escritos, mas certamente, o mais carregado de emoção e satisfação.
Passo Fundo.
25 de agosto de 2011. Manhã nublada, fria e fechada. Eu tremia. Um dos dias que
eu mais esperei na minha vida estava prestes a se tornar realidade.Quando eu ouvi “Senhoras e sem dores, respeitável público pagão, bem vindos ao Teatro Mágico” minhas pernas amoleceram. Fernando Anitelli entrou no palco, com o rosto mascarado pela pintura característica da trupe. Quando ele se postou na minha frente com aquela capa de veludo vermelho e disse a frase que eu mais ansiava ouvir, admito, uma lágrima rolou pelas bochechas gordinhas e cheias de blush.
“A poesia prevalece!” me deixou arrepiada. A ficha caiu. Era realmente O Teatro Mágico que estava ali, na minha frente. Prestes a entoar as canções que mais me emocionam, que mais me tocam. Sentada no chão sem qualquer calçamento do Circo da Cultura, eu pouco me importava se as pessoas achariam estranho me ver chorando, hipnotizada e depois rindo realizada.
O Teatro Mágico subiu ao palco para mostrar aos leitores como a união de poesia, música, arte performática e humor é possível. E de maneira simples, arrancaram aplausos entusiasmados dos pequenos que assistiam hipnotizados a performance de Déinha Lamego no tecido e dos maiorzinhos, que tinham os olhos brilhando enquanto entoavam as composições de Fernando Anitelli.
O Teatro Mágico subiu ao palco para mostrar aos leitores como a união de poesia, música, arte performática e humor é possível. E de maneira simples, arrancaram aplausos entusiasmados dos pequenos que assistiam hipnotizados a performance de Déinha Lamego no tecido e dos maiorzinhos, que tinham os olhos brilhando enquanto entoavam as composições de Fernando Anitelli.
Junto comigo
estavam os meus Camaradas d’água Mateus e Vanne que, assim como eu , evocaram
da sombra uma inquietude que só acalmava com o som da trupe. Partimo-nos
em vários enquanto acompanhávamos as frases do show que pareceu tão curto,
enquanto a porta do camarim virou ponto de conversa ou quando saímos como se
fôssemos grandes amigos (acho até que somos).Eu precisava pegar algumas falas do Fernando para fazer uma matéria. Ser profissional naquela hora exigiu bastante esforço. Enquanto eu perguntava ou escutava atentamente o que ele falava, o microfone chegava escorregar na minha mão, de tanto que ela suava. Anitelli respondia com naturalidade e com gosto em dar respostas com conteúdo tremendo. Mais que um cantor, sem dúvida. Um cara, um papo, um sopapo, um papelão.
Anitelli se mostrou simpático e muito acessível. Respondeu calma e pausadamente com riqueza de detalhes todas as questões por mim levantadas. Contou de onde surgiu a idéia da trupe, gesticulava o tempo todo enquanto me falava a maneira como tantos raros foram se agregando e me fazia rir com seu tique nervoso. As 'quebradinhas' de pescoço e piscadas apenas com o lado direito dissiparam todo o meu nervosismo.Sem contar a minha emoção, quando Fernando viu a minha tatuagem que tem escrito "A poesia prevalece", na panturrilha e disse que demonstrações como essa são de uma gratificação enorme para ele e o quanto essa frase é importante para ele.Uma filosofia de vida. Assim como para mim.
Foi um dos dias mais felizes da minha vida, tenho certeza. E só queria dividir com vocês.
Certamente não é dos meus melhores escritos, mas certamente, o mais carregado de emoção e satisfação.
O Teatro Mágico surgiu em dezembro de 2003, pela atitude de Aniteli que ao freqüentar saraus literários, ficava perplexo com a beleza da junção de manifestações artísticas que acontecia ali. E a idéia foi partilhada com amigos e amplificada indo, então, pra cima de um palco. A questão do palhaço surgiu um pouco mais tarde, com inspiração na “commedia dell'arte” numa tentativa de igualar o artista e o expectador. Transcender a barreira palco-platéia afinal, todo mundo tem um pouco de palhaço.
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| A Trupe |
A trupe vem de Osasco e traz em seus arranjos frases que nos levam a reflexão, como em Zazulejo, que conta a história de pessoas que falam erroneamente algumas palavras e finaliza com a impactante frase “Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”. O Teatro nunca teve uma música no pódio das paradas de sucesso, mas acredita que o seu trabalho está sendo cumprido: “Mesmo que não esteja na mídia, está sendo produzido, está sendo consumida por alguém. Mesmo com tantos tipos de músicas que são ouvidas atualmente, sempre haverá gente tentando fazer música de resistência com letra bacana e um bom arranjo. E sempre haverá alguém que vai simpatizar e gostar” diz Anitelli.
O vocalista ainda afirma que a internet acaba sendo uma concorrência direta com as rádios, pois divulga o trabalho dos artistas numa velocidade imensa, além de dar ao artista a possibilidade de ‘existir’. A rede tira o atravessador cultural deixando o artista frente a frente com o público. E isso é fundamental.
agosto 31, 2011
00
" E um dia ela viu
Aquela história de príncipe e cavalo branco
era tudo pataquada.
E se existe palhaço sem o vermelho no nariz
A história foi inventada!
E nunca vai existir o tal do final feliz, isso é fato"
NCS
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