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julho 19, 2013

O que te incomoda mais: a nudez ou a orgia política?

Foi começar a ser divulgada a foto dos “Pelados da câmara de POA” que o falso moralismo começou a ecoar pelas redes sociais.

Vi de tudo. Pessoas desmerecendo o movimento, chamando de putaria. Exaltando o desrespeito com a ‘casa do povo’ que, diga-se de passagem, é casa daquele povo ali também. E sinceramente eu costumo ficar pelada em casa.

Eu não sei se tenho um cérebro avançado, se tenho o cérebro atrasado ou se vivo numa bolha, mas na minha concepção de mundo ver pessoas peladas em forma de protesto, NADA TEM DE CHOCANTE! MUITO MENOS IMORAL OU RETRÓGRADO.

Para mim, retrógrado é ver a coisificação do corpo da mulher em propagandas que fomentam o consumismo exagerado (e o machismo também). Imoral é viver em um país tropical, aonde todo mundo anda semi nu a maior parte do ano e faz um dramalhão quando vê alguns pênis e vaginas de pessoas que não são modelos.

Num país aonde a nudez (dita como arte) do carnaval é ovacionada não só pelos brasileiros, mas é um dos cartões postais do país, e quando usada como arte revolucionária, é vandalismo.

Num país aonde o banquete de R$28 mil que o presidente da câmara dos deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB) ofereceu com o NOSSO DINHEIRO (pois foi custeado com suprimento de fundos) sequer é mencionado nas redes sociais afinal, os vândalos estavam pelados.

Penso, meus queridos moralistas de plantão, que está na hora de colocar a mão na consciência e rever seus conceitos. Pois se a corrupção te assusta menos que órgãos genitais, acho que os seus valores estão meio deturpados.

E se ficar pelado for o caminho para a revolução, com licença, já estou tirando as meias.

Ingra Costa e Silva.

abril 07, 2012



E então hoje é o verdadeiro dia do jornalista. São tantos distribuídos no decorrer do ano que o verdadeiro dia passa batido. O Dia do Jornalista é comemorado dia 7 de abril no Brasil, em homenagem ao médico e jornalista João Batista Líbero Badaró, brasileiro de origem italiana, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 1830. O fato ocorreu durante uma passeata de estudantes em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa. Além de, ser o dia da fundação da Associação Brasileira de Imprensa.

Histórias a parte, hoje é dia de comemorar o quê?
Comemorar a censura invisível? Comemorar o número infinitamente grande de profissionais robôs? Comemorar a imprensa de direita que manda no país? Comemorar a discriminação interna com algumas editorias? Comemorar o baixíssimo salário?
É difícil ser jornalista quando as instituições te ensinam técnicas utópicas de jornalismo e, que a meta da sua vida deve ser entrar num grande veículo aonde, na maioria das vezes a realidade e a informação é manipulada/manipuladora. Um profissional realmente ÉTICO e que traga a verdade à tona. Mostrar realmente o que está acontecendo sem pender pra lado nenhum? Isso sim é impossível. Para mim, o grande problema é que, o lado mostrado geralmente pende para o interesse da minoria rica e não, da maioria trabalhadora.
Ser um jornalista militante então? É o pedido do seguro desemprego. Ou a (rara) contratação por algum sindicato. É difícil hoje em dia, ser um jornalista com opinião própria quando existem interesses dos grandes patrões por trás de tudo que o veículo transmite. É quase impossível resgatar os valores históricos da profissão, como jornalistas com posicionamento e atuação política.

Tudo isso é realmente muito difícil.
Mas nunca gostei de nada que é fácil.  
E acredito que, mesmo com todas as dificuldades, ainda há esperança. 
E eu a busco nos olhos de cada pessoa que eu entrevisto. Seja a pauta que for.
Em cada (raríssima) denúncia que é feita através de qualquer veículo.
Em cada matéria bem feita.
Em cada boa história que passa despercebida pelos olhos quase de todos: menos ao olhar atento dos verdadeiros jornalistas.
Parabéns a todos os jornalistas que acessam o meu blog.

março 22, 2012

Despedida



Prezados senhores,
Eu, Ingra Costa e Silva, brasileira, solteira, RG XXXXXXXX , CPF XXXXXXXXXX, Título de Eleitor XXXXXXXXXX, Zona XX, SeçãoXXX, residente e domiciliada na Rua XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX declaro que não me sinto satisfeita com as mudanças programáticas ocorridas no PT. O Partido dos Trabalhadores que em sua fundação pregava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade igualitária, discursa junto e igualmente o PMDB. Alianças com setores que outrora eram combatidas, agora faz-se natural na rotina do partido. Ver ícones que por vezes representaram toda a ideologia que tenho, da igualdade social, do fim da repressão agora abraçados com José Sarney e Renan Calheiros.  O glorioso partido do povo, que ajudou a derrubar Fernando Collor, agora governa juntamente com ele e seu partido.
Hoje, o partido vive o auge da politicagem, da teoria do “uma mão lava a outra”, da troca de favores. A ética não existe mais. O povo é enganado, é iludido com migalhas como o bolsa Família, que deveriam (e poderiam) auxiliar de forma decente o povo brasileiro, em vez da miserável quantia que lhes é oferecida. Ou ainda o PROUNI, que nada mais é do que uma falta de consideração com os estudantes. A maioria das bolsas é de 50 por cento, sendo que o aluno ou financia o resto, ou vive passando necessidade. Pois não é só a mensalidade que ele tem que pagar: é o alimento caro, é o valor injusto da passagem de ônibus, é o superfaturamento dos aluguéis, é o jatinho de político corrupto. É tudo. Porquê ao invés de beneficiar as privadas com o PROUNI, o governo não constrói mais universidades federais? Mas quando falo construir, não me refiro apenas à sede física, nem ao aumento de número de vagas nas já existentes Universidades Públicas, mas na estrutura como um todo. Professores qualificados, sede física que suporte o número de alunos, RU digno, casa do estudante.
Sem contar, ainda, com a alienação de muitos integrantes do partido, principalmente a juventude. Ao participar do CONUNE pude ver claramente como os ‘militantes’ do PT se comportam. Muitos dos que encontrei por Goiânia, me disseram que tinham viajado de graça, com tudo pago e ainda haviam ganho crachás de delegados. A maioria, nem sabia o que estava acontecendo. Apenas faziam o que lhes havia sido ordenado: apoiar a UJS e falar a palavra de ordem “Direita, Esquerda” apontando, na ordem, para a oposição e logo mais para si. Vivi ainda um momento de tensão, quando integrantes da corrente CNB partiram pra cima de quem estava na bancada reservada a Juventude da Articulação de Esquerda que gritavam uma palavra de ordem pedindo 10% do PIB pra educação. Pobre AE: possui uma ideologia tão verdadeiramente de esquerda, é uma pena isso ficar apenas na base.
Vejo a deficiência da formação dos militantes que em momento algum são incentivados a se formar politicamente lendo, discutindo, debatendo. Não há convites para atividades do partido senão quando alguma votação está em jogo ou assunto interno de correntes. Não há interesse da base em agir, se não tiver um CC em jogo. O bem da comunidade? Pra que , se o ‘militante’ pode ser secretário de alguma coisa qualquer que não vai fazer nada e ganhar dinheiro.
De filiação era apenas um ano, mas de lutar pelo suposto mesmo ideal é uma vida inteira. Não me sinto mais a vontade fazendo parte da sigla. Não me sinto mais representada por um partido que se diz dos trabalhadores mas na verdade, defende a burguesia do país. Abraça empreiteiros milionários desconsiderando o povo, como no caso de Belo Monte. Que desconsidera os direitos humanos e de permanência para favorecer um milionário que, inclusive deve cerca de R$15 milhões de IPTU, como é o caso de Pinheirinho. Um governo que apóia a barbárie. Eu não me sinto representada por um partido que está a tanto tempo no governo e que fez tão pouco para o povo. Eu não me sinto representada por governantes que não vão a luta, que não colocam a cara pra bater se for pra defender a massa e que se contenta com tramóias e troca de favores. Desculpe-me, mas é por esses e muitos outros motivos que eu declaro minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Passo Fundo, março de 2012.