maio 01, 2012

Quisera eu levar


Mas a mala
não consigo fechar.

Por mais que insista ou tente.

Acho que vou me virar (não muito) bem

E nunca mais
falarão que eu não sei assoviar.
-ICS

abril 30, 2012

Do assovio que não escuto














E ao invés de engarrafar a saudade
Travo uma batalha interna e diária.
Vou à luta!

da minha alma e do meu coração...
Tento derrubar a injustiça dos meus sentimentos

que insistem em prevalecer sobre os pensamentos.
Prevalecem mais que a poesia
essa, que sempre dominou a minha vida.

E eu já não sei nem como proceder.
Não sei assoviar
e pra foder de vez

esqueço-me.
Toda hora, todo tempo.
Não entendo...

Perdoe-me:
por ora não terei mais bombons para roubar.


Let it be.
-ICS

abril 29, 2012

Das dores que eu sinto



E agora, nem o GreNal parece ter graça
Sem ele para brigar.
E para acalmar
Somente uma carteira de cigarro
(por dia)
e a morte lenta que ela traz.
-ICS

Do muro que construí


E as vezes você sofre tanto, mas tanto
Que constrói um muro
para te livrar dos maus.
O problema disso
É que também afasta os bons.
Os assusta.

E eles fogem.


-ICS

Desconvencional



E ela chegou em casa com um buraco no peito
decidida a fazer uma panela de brigadeiro 
e assistir PS Eu Te Amo.


Abriu uma cerveja,

colocou os pés na mesinha de centro
e assistiu UFC.



Enquanto acendia seu cigarro

tinha certeza que não era uma mulher convenciona.l
E nem queria ser.

-ICS

abril 14, 2012

E por falar na minha vida


E quando eu estou muito, muito triste
Eu me tatuo
Eu fumo
Tomo  um whisky
E mando tudo pra puta que pariu.
-ICS

Olhos secos


E se você guardasse
Todas essas minhas lágrimas que você derramou
num potinho
Trocasse-as por corações de açúcar
E me devolvesse um dia?
Um dia...
Quem sabe um dia.
-ICS


abril 13, 2012

Náufrago



Um barco de papel
foi o presente que ganhei
daquele moço.
Mas barcos de papel,
apesar de n'água flutuarem
quando muito tempo nela, afundam.
Viram nada.
Assim como eu:
na saliva dos teus beijos.
-ICS

Sarau

Poesia, meia luz, amigos e um violão.
Uma gaita
Um chocalho que parece um ovo.
Castanholas
Nada do mais do mesmo.
E felicidade. Muita felicidade.

abril 12, 2012

E por falar no que eu vi...



E ela chorava, e se rasgava por dentro
Enquanto muda, ouvia Jobim e tirava o esmalte descascado as unhas.
Por coincidência, aquele era o esmalte que ele achava horrível.
Mas ela gostava tanto...


Crueldade era pouco para classificar a atitude dele
Aquela música que arrancou risadas de todos os outros
Foi como um punhal no coração dela. Mas só ela sabia.
Só ela sentia
Só ela viu, a maldade por trás daqueles versos ‘divertidos’

Só ela chorava, agora, sozinha no quarto.
Ouvindo por milhões e milhões de vezes a poesia 
que declamou com um sorriso no rosto, olhando para ele,
Enquanto no lugar do seu coração:
Apenas um vazio.
E a dor da humilhação.

abril 11, 2012

E por falar em opinião


Enquanto você morre pelo seu deus, 
eu me proponho a morrer para que todas as pessoas vivam em pé de igualdade.
Enquanto você canta, dança,grita e seilá mais o quê,
eu luto por uma sociedade justa. 
Para que os teus, num futuro talvez próximo, 
não passem necessidade por que a minha atitude fez a diferença.
Vai orar vai.
Que eu vou tentar arrumar toda essa cagada;

Se só rezar mudasse o mundo não existia gente passando fome.
Nem morrendo em filas de hospitais.
Nem analfabetas, nem moradores de rua...

abril 09, 2012

E por falar em perda I


‎
É difícil perder pessoas. Ainda mais, quando as perdemos pra sempre.
Por mais que saibamos que a morte é a única certeza da vida, sempre é difícil.

Nós, seres humanos, somos a espécie que pior sabe lidar com a morte. E talvez a única que tenha certeza dela.

Hoje eu vi pessoas chorando, desmaiando, brigando, gritando e em estado de choque. Mas nada disso fez o defunto ressuscitar e muito menos, levantar pra dar um olá.

Ele continuou ali, inerte. Sustentando seu farto bigode. Bigode esse que antes servia de moldura para um largo sorriso. Hoje, apenas era um chumaço de pelos no rosto morto de um homem.

É difícil lidar com a morte, como é. Mas não adianta, meu amigo, vir chorar depois que o espírito abandonou a carcaça. Não adianta prestar homenagens e gritar que ama, depois que o que resta é apenas um corpo já desfalecido.

Por isso meus amigos, visitem seus entes enquanto respiram,sentem e podem falar com você. Falem o que sentem e o quanto se importam enquanto eles podem saber de todos os teus sentimentos por eles.

E no meu velório (esse dia vai chegar) eu não quero absolutamente NINGUÉM que nunca me visitou/ligou/faceboqueou ou algo do gênero. Nunca se importou quando era vivo, que que quer pagar pau depois de morto?

abril 07, 2012



E então hoje é o verdadeiro dia do jornalista. São tantos distribuídos no decorrer do ano que o verdadeiro dia passa batido. O Dia do Jornalista é comemorado dia 7 de abril no Brasil, em homenagem ao médico e jornalista João Batista Líbero Badaró, brasileiro de origem italiana, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 1830. O fato ocorreu durante uma passeata de estudantes em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa. Além de, ser o dia da fundação da Associação Brasileira de Imprensa.

Histórias a parte, hoje é dia de comemorar o quê?
Comemorar a censura invisível? Comemorar o número infinitamente grande de profissionais robôs? Comemorar a imprensa de direita que manda no país? Comemorar a discriminação interna com algumas editorias? Comemorar o baixíssimo salário?
É difícil ser jornalista quando as instituições te ensinam técnicas utópicas de jornalismo e, que a meta da sua vida deve ser entrar num grande veículo aonde, na maioria das vezes a realidade e a informação é manipulada/manipuladora. Um profissional realmente ÉTICO e que traga a verdade à tona. Mostrar realmente o que está acontecendo sem pender pra lado nenhum? Isso sim é impossível. Para mim, o grande problema é que, o lado mostrado geralmente pende para o interesse da minoria rica e não, da maioria trabalhadora.
Ser um jornalista militante então? É o pedido do seguro desemprego. Ou a (rara) contratação por algum sindicato. É difícil hoje em dia, ser um jornalista com opinião própria quando existem interesses dos grandes patrões por trás de tudo que o veículo transmite. É quase impossível resgatar os valores históricos da profissão, como jornalistas com posicionamento e atuação política.

Tudo isso é realmente muito difícil.
Mas nunca gostei de nada que é fácil.  
E acredito que, mesmo com todas as dificuldades, ainda há esperança. 
E eu a busco nos olhos de cada pessoa que eu entrevisto. Seja a pauta que for.
Em cada (raríssima) denúncia que é feita através de qualquer veículo.
Em cada matéria bem feita.
Em cada boa história que passa despercebida pelos olhos quase de todos: menos ao olhar atento dos verdadeiros jornalistas.
Parabéns a todos os jornalistas que acessam o meu blog.

março 30, 2012

trintademarçodedoismiledozeII


Acho que passei uma boa parte da minha vida andando de ônibus.
Seja para ir à aula, trabalhar ou viajar para visitar alguém. E hoje, não foi diferente.
Nos meus fones, uma música lenta. Assim como o meu estado de espírito.
Nas mãos, meu bloquinho e meu celular.
Na mente, nada.
Então, alguém tocou meu braço, olhei sem pensar em nada e tirei meus fones.
Era um moço de olhos azuis. Um azul lindo.
Tão lindo que era triste.
Tão triste que era lindo.
Assim como todos os sinais que marcavam seu rosto jovem. 
Sinais de tristeza. De sofrimento.
Na mão esquerda, uma aliança de um dourado quase amarelo, bem fina.
E na esquerda, uma caixa de gomas.
“É um real, moça.”
Abri minha carteira, tirei uma moeda dali e lhe entreguei.
Em troca, um pacotinho dos doces.
E ele continuou oferecendo a todos que estavam no ônibus.
Pessoas que estavam indo para suas casas, suas escolas, seus trabalhos.
E mais ninguém comprou.
Um real. Era só esse o preço das balinhas que eu comprei com uma simples moeda.
Mas eu queria tanto que ele soubesse que naquela moeda que lhe entreguei, estava depositada toda a minha esperança de que ele conseguisse sustentar a esposa que deve ter uma aliança brilhante igual à dele. E talvez os filhinhos que eles possam ter. E quem sabe cães, pássaros ou gatos que vivam lá também.
Ou ninguém. Pois talvez o aro dourado fosse só mais um anel.

Aquela era uma das minhas últimas moedas.
Mas naquela moeda, tinha toda a minha admiração por aquele trabalhador.
ICS

trintademarçodedoismiledozeI










E distraída ouvindo uma música qualquer
passei pelo trabalhador que sob o sol quente do outono
colocava asfalto novo na rua.
Ele estava suado e me olhou sorrindo.
No bolso dele, um pente e um garfo.
Em suas mãos, uma pá e toda a sua dignidade.

ICS

março 22, 2012

Quando a revolta é falha

"Cansei!
Vou parar de trabalhar e vou trancar a faculdade.
Comprarei uma Kombi e sairei pelo país vendendo brincos e colares.
Viverei sem regras e sem rotina. Uma riponga no século da prisão digital.

Mas eu não sei dirigir. Muito menos fazer brincos e colares.

 Me vê um café bem forte, por favor?
 (Abre um arquivo em branco de Word)
Está na hora de voltar ao trabalho."

-ICS

Despedida



Prezados senhores,
Eu, Ingra Costa e Silva, brasileira, solteira, RG XXXXXXXX , CPF XXXXXXXXXX, Título de Eleitor XXXXXXXXXX, Zona XX, SeçãoXXX, residente e domiciliada na Rua XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX declaro que não me sinto satisfeita com as mudanças programáticas ocorridas no PT. O Partido dos Trabalhadores que em sua fundação pregava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade igualitária, discursa junto e igualmente o PMDB. Alianças com setores que outrora eram combatidas, agora faz-se natural na rotina do partido. Ver ícones que por vezes representaram toda a ideologia que tenho, da igualdade social, do fim da repressão agora abraçados com José Sarney e Renan Calheiros.  O glorioso partido do povo, que ajudou a derrubar Fernando Collor, agora governa juntamente com ele e seu partido.
Hoje, o partido vive o auge da politicagem, da teoria do “uma mão lava a outra”, da troca de favores. A ética não existe mais. O povo é enganado, é iludido com migalhas como o bolsa Família, que deveriam (e poderiam) auxiliar de forma decente o povo brasileiro, em vez da miserável quantia que lhes é oferecida. Ou ainda o PROUNI, que nada mais é do que uma falta de consideração com os estudantes. A maioria das bolsas é de 50 por cento, sendo que o aluno ou financia o resto, ou vive passando necessidade. Pois não é só a mensalidade que ele tem que pagar: é o alimento caro, é o valor injusto da passagem de ônibus, é o superfaturamento dos aluguéis, é o jatinho de político corrupto. É tudo. Porquê ao invés de beneficiar as privadas com o PROUNI, o governo não constrói mais universidades federais? Mas quando falo construir, não me refiro apenas à sede física, nem ao aumento de número de vagas nas já existentes Universidades Públicas, mas na estrutura como um todo. Professores qualificados, sede física que suporte o número de alunos, RU digno, casa do estudante.
Sem contar, ainda, com a alienação de muitos integrantes do partido, principalmente a juventude. Ao participar do CONUNE pude ver claramente como os ‘militantes’ do PT se comportam. Muitos dos que encontrei por Goiânia, me disseram que tinham viajado de graça, com tudo pago e ainda haviam ganho crachás de delegados. A maioria, nem sabia o que estava acontecendo. Apenas faziam o que lhes havia sido ordenado: apoiar a UJS e falar a palavra de ordem “Direita, Esquerda” apontando, na ordem, para a oposição e logo mais para si. Vivi ainda um momento de tensão, quando integrantes da corrente CNB partiram pra cima de quem estava na bancada reservada a Juventude da Articulação de Esquerda que gritavam uma palavra de ordem pedindo 10% do PIB pra educação. Pobre AE: possui uma ideologia tão verdadeiramente de esquerda, é uma pena isso ficar apenas na base.
Vejo a deficiência da formação dos militantes que em momento algum são incentivados a se formar politicamente lendo, discutindo, debatendo. Não há convites para atividades do partido senão quando alguma votação está em jogo ou assunto interno de correntes. Não há interesse da base em agir, se não tiver um CC em jogo. O bem da comunidade? Pra que , se o ‘militante’ pode ser secretário de alguma coisa qualquer que não vai fazer nada e ganhar dinheiro.
De filiação era apenas um ano, mas de lutar pelo suposto mesmo ideal é uma vida inteira. Não me sinto mais a vontade fazendo parte da sigla. Não me sinto mais representada por um partido que se diz dos trabalhadores mas na verdade, defende a burguesia do país. Abraça empreiteiros milionários desconsiderando o povo, como no caso de Belo Monte. Que desconsidera os direitos humanos e de permanência para favorecer um milionário que, inclusive deve cerca de R$15 milhões de IPTU, como é o caso de Pinheirinho. Um governo que apóia a barbárie. Eu não me sinto representada por um partido que está a tanto tempo no governo e que fez tão pouco para o povo. Eu não me sinto representada por governantes que não vão a luta, que não colocam a cara pra bater se for pra defender a massa e que se contenta com tramóias e troca de favores. Desculpe-me, mas é por esses e muitos outros motivos que eu declaro minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Passo Fundo, março de 2012.

março 11, 2012

dezdotrêsdedoismiledoze

"E então vem aquele jogo de empurra empurra para rotular o culpado.
Ouvir um descontento nunca é possível.
Isso cansa. Isso abala.
Mexe tanto que você perde as forças.
Chora pra dentro.
Ri para fora.
Um riso de desespero."

Foi o que ela me disse, enquanto andava pela rua de pedra ainda quente por causa do sol.
Um carro parou.
Ofereceu 50.
Ela foi trabalhar.
E eu, dormir.

Boa noite.

janeiro 02, 2012

CINCO MINUTOS

Você já parou pra pensar como cinco minutos podem fazer diferença na sua vida? Quantas coisas, quantos destinos, quantas vidas podem ser mudadas ou alteradas em cinco minutos?

São 300 segundos. Tic tac. Tic Tac. Um cachorro pode latir quase seissentas vezes nesse tempo. Se a torneira ficar aberta, são cerca de doze litros de água que vão embora. E uma casa, pode ser consumida por chamas neste tempo. Você pode saber a história da vida de uma pessoa em cinco minutos. Enquanto o relógio cronometra este tempo, os dois mendigos parados na frente da festa passam a ser o Alaércio e o Sebastião. A tia que faz o café, confessar que quer escrever um livro de poemas um dia. O seu marido, ceder à traição.

Em cinco minutos você pode conhecer o amor da sua vida. Como pode passar a odiá-lo também. Em cinco minutos você pode ficar sem ar de tanto rir, ficar bêbado e pode cair e levantar várias vezes. Por mais que levantar lhe ocupe mais tempo, você sempre vai levantar. Acredite. Cinco minutos podem ser usados para tomar uma decisão. Pode ser o tempo necessário para se arrepender dessa decisão ou o tempo de segurar o choro por causa dela. 

Em 300 segundos você pode seduzir alguém. Pode dar motivos para que essa pessoa te ame ou te odeie. Te odeie. Sinta repulsa. E na pior das hipóteses, seja indiferente. Tudo isso nesse pequeno intervalo de tempo. Cinco minutos passam muito rápido enquanto dormimos, comemos, nos divertimos, estamos com quem amamos. Mas cinco minutos também passam bem devagar, quando estamos na missa, sentimos fome, ouvimos sermão, falamos com o chefe ou quando nos machucamos. Ou quando nos machucam. 
A dor? Ah... essa aproveita bem o lancinante tic tac do relógio. 
De maneira que chega a dar eco.
Tic tac.
Tic tac.
Tac.
Tac.

dezembro 30, 2011

Um ano de revoluções


Revolução árabe, 15.O, ocupações de reitoria. Mas mais que isso: uma revolução na minha vida

Eu sei que todo final de ano é a mesma coisa, o pessoal começa com suas retrospectivas do ano que passou e publicam em algum lugar da internet, como se fosse interessante para os outros saberem disso. Para os outros pode não ser, mas para quem faz, é uma espécie de desabafo, uma necessidade de relembrar o que aconteceu de bom e também, o que aconteceu de ruim. Reafirmar sentimentos que já existiam ou passaram a existir e extinguir aqueles que foram desvalorizados. Reafirmar o que fez bem e analisar o que fez mal, para que não aconteça novamente. E é nesse intuito que eu, após abandonar meu blog por meses venho traçar a minha retrospectiva de dois mil e onze.
Posso dizer que foi um ano de grandes emoções. O início do ano serviu para que ex amores mostrassem quem verdadeiramente eram e me explicassem porque eram ex. Vi a face mais obscura da injustiça ao ouvir absurdos e ameaças da pessoa a quem dediquei boa parte da minha vida. A pessoa que por muito tempo foi o meu Norte. É uma queda cruel. Mas nada que uma gordinha serelepe não consiga se recuperar.

Aproveitei-me desse rompimento por completo para dedicar-me ao que muitas vezes fui privada: a luta. Não só a luta física (querido Muay Thai que precisei abandonar de novo) mas a luta pela sociedade ideal. Pelo que eu acho certo, por uma sociedade igualitária, sem preconceitos, sem miséria,sem corrupção. Esse caminho da militância foi meio tortuoso no início. Pensei que um partido político dito “de esquerda” seria a melhor opção para militar. Ledo engano, pois com o passar do tempo percebi que os interesses que eram tratados ali não eram os do povo, mas de uma minoria burguesa que ditava as regras conforme estava o vento do governo. E como tanto federal como estadual são deles, as minhas lutas que iam de encontro aos interesses/metas/idéias deles, fiquei patinando, sem sair do lugar. Uma militante solitária.
Então, conheci pessoas que tinham os mesmos propósitos que eu e surgiu o Nada Será Como Antes. Aonde as discussões foram aprofundadas e uma chapa para concorrer ao DCE da UPF foi montada. As eleições foram uma palhaçada, contra o estatuto, com ameaças contra os nossos apoiadores e integrantes da chapa, mas no fim, saímos todos vivos e sem desistir da luta. Pode parecer piada, mas levado para nível nacional sabemos que historicamente, a União da Juventude do Sarney já matou por menos.
Eleições essas que além de me acrescentarem muito politicamente, acrescentou sentimentalmente. Conheci pessoas que nunca conheceria se não fosse pelo movimento. Pessoas com quem tive conversas que duravam horas sobre a situação política do país, mas que também fiz festas memoráveis que merecem até hoje um cantinho no baú das melhores memórias.

Conheci amigos, companheiros de luta, amigos-companheiros de luta, amigos-companheiros de luta-namorado.Como assim? Assim mesmo! Um dos militantes que veio de fora (no caso, do DCE da UFRGS) para nos ajudar, se mostrou o cara mais legal que eu já conheci na vida. Que despertou em mim, sentimentos que eu nem sabia que poderiam existir, tanto pelos outros, quanto por mim. Sabe, dos meus poucos anos de vida aprendi que não é legal ficar projetando demais a vida ao lado de outra pessoa, pois caso não dê certo, a frustração e a decepção aparecem de forma ainda mais dolorosa. Mas ele me ensinou muita coisa e se eu pudesse escolher alguém, mesmo com todos os defeitinhos, seria ele. Enfim.
Na metade do ano teve o CONUNE. Experiência que serviu ara mostrar o quanto o Movimento Estudantil pode ser corrompido. A UNE que muito foi de luta nas décadas passadas, hoje não representa o estudante e a sua luta. É capacho do governo e pior ainda, se envolve em escândalos que comprovam o uso de verbas destinadas ao movimento em festas particulares. Esses são os que assumem cadeiras do senado, das câmaras e que fazem showmícios enquanto embolsam o seu dinheiro. Esses são os políticos de amanhã.
A experiência do CONUNE serviu (além de testar meu tempo máximo sem fazer chapinha) para mostrar que o partido que eu já muito havia defendido, que na sua criação ditava que apenas o socialismo era a saída para uma sociedade justa, de fato não me representava mais.

E um debate sobre homofobia organizado pelo DAALL, um dos poucos DA’s de luta da UPF, abriu meus horizontes. Sentimentos que há muito vinham sendo reprimidos encontraram força quando conheci algumas pessoas que estavam lá. Fui convidada a participar de uma reunião de um tal grupo que estava surgindo depois do debate. Aquele que desencadeou em mim a coragem de assumir que gostava tanto de homens quanto de mulheres também foi o fomentador para que muitas pessoas sentissem a necessidade de militar pela causa LGBT.
Nasce então o Plural. Um coletivo que com apenas três meses de vida, já tem visibilidade nacional.  Estamos começando, engatinhando, mas é claro para todos que o futuro é nosso.

Tiveram ainda eleições para Diretório Acadêmico. Primeiro o DAALL, que o PCdoB teimosamente tenta ocupar há anos, mas como tal partido e luta não cabem no mesmo espaço, óbvio que a vitória foi nossa. Uma vitória gostosa não só pelo fato de ser uma vitória, mas por ser uma vitória sobre pelegos declarados.
Depois ainda, eleições para o DAINFO, chapa única, mas nossa também.  E na mesma época, eleições para o DACG, na FAC, meu prédio. A Chapa (esse era o nome mesmo. Hehe) surgiu naturalmente, com pessoas que queriam reerguer o DA após tanto tempo fechado e, quem sabe, zerar as dívidas que a penúltima gestão deixou. Dívidas descabidas e algumas, inclusive, pessoais dos representantes. Exemplo claro de que o mau caratismo não poupa nem colegas e companheiros de curso. Tivemos uma vitória digna, mais que o triplo dos votos que a outra chapa. Outra chapa essa, que ganhou “auxílio” do nosso DCE pelego.  E mais uma vez a vitória teve um gosto acentuado. Mais uma vez quem é de luta MESMO ganha e deixa a pelegada chupando o dedo.
Ainda o DCE da UFRGS, que eu quase morri de nervoso por que não podia fazer nada daqui de Passo Fundo a não ser campanha via internet. Mas que foi uma das várias vitórias saborosas que tivemos. Que ganhou das pseudo-esquerdas e da direita assumida, essas que diziam que o lugar do negro é na cozinha do RU.

E o jornalismo?
Ah o jornalismo... Comecei o ano com uma crise de curso/profissão. Pensei em desistir, trancar a faculdade, não era aquilo que eu queria.
Eu que trabalhava de secretária num lugar aonde tinha muitos amigos, sofri mais uma vez com a punhalada da falsidade. Um destes “amigos” , por motivos ainda desconhecidos, agiu de maneira com que eu fosse demitida. Foi tenso na época. Sempre fui  eu que paguei as minhas contas e sem emprego, trancar a faculdade não seria só pela crise de identidade.
Eis que surge um estágio, para jornal impresso. O sonho, do início da faculdade virava realidade. Independente da editoria, independente de se era estágio, eu estava dentro de uma redação e era isso que importava. Hoje, não troco por nada! O salário é pouco?É. Tive que financiar a faculdade porquê com a bolsa do estágio não ia rolar? Sim. Mas nem to. É aquilo que eu quero e por isso que eu estou ali.
Conheci profissionais maravilhosos ali dentro e nos quais tento me espelhar todos os dias ( mas fica em off pra não se acharem) e tenho certeza que tiro mais conhecimentos dali do que da própria academia. 

Momentos
Conhecer o pessoal do O Teatro Mágico foi um sonho realizado. Um dos momentos mais felizes da minha vida. Que eu certamente NUNCA vou esquecer.
Os almoços memoráveis da FAC. Cada um com uma história para ser contada durante anos.
A perda de um mestre. Uma dor que eu nunca tinha sentido.
As milhões de mudanças de cabelo que eu fiz.
Os amigos de POA, que ouviram muito de mim antes de me conhecer. Cada um com a sua loucura, digo, singularidade. Todos (ou quase todos) especiais e que já me conquistaram.
Seja na minha barraca ou na tua, com bilisquili ou não. Só quero que me diga uma coisa:
O que é que tu achou do Plínio?

Sei que muita coisa ficou de fora, mas não é menos relevante.Deve ser levado em consideração que são 06:36 da manhã e que depois que eu postar isso, que eu vou dormir.

E para o ano que vem, ouso parafrasear Walt Whitman:
“A pé e de coração leve enveredo pela estrada aberta
Saudável, livre, o mundo à minha frente
À minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira
Daqui em diante, não peço boa-sorte. Boa-sorte sou eu...” 

Que a poesia prevaleça na vida de todas as pessoas.
Um Feliz 2012. Uma feliz vida. Viva. Seja.
Let it be.

outubro 18, 2011

dezenovedodezdedoismileonze



Tem dias que os meus sentimentos saltam pelos olhos. Ainda hoje isso aconteceu. Enquanto digitava mais um texto e fumava mais um maço de cigarros, liguei o velho rádio que tenho ao lado da máquina de datilografar e ouvi o trecho “às vezes dá vontade de jogar tudo pro alto e sumir, mas sei bem quem ta comigo e não deixa eu desistir” lembrei de muitos flashs da minha vida, que definitivamente, só superei porque minha mãe Oxum nunca me abandonou. E não ia ser agora... Apesar das lágrimas, a fumaça ainda me distraía , como se dançasse a minha volta...
E o conto de fadas agora acabou. Ninguém mais nesse mundo meu filho- acredite!- luta por amor.

setembro 06, 2011

A poesia prevalece

Quando show e espetáculo viram uma coisa só

     Passo Fundo. 25 de agosto de 2011. Manhã nublada, fria e fechada. Eu tremia. Um dos dias que eu mais esperei na minha vida estava prestes a se tornar realidade.
    Quando eu ouvi “Senhoras e sem dores, respeitável público pagão, bem vindos ao Teatro Mágico” minhas pernas amoleceram. Fernando Anitelli entrou no palco, com o rosto mascarado pela pintura característica da trupe. Quando ele se postou na minha frente com aquela capa de veludo vermelho e disse a frase que eu mais ansiava ouvir, admito, uma lágrima rolou pelas bochechas gordinhas e cheias de blush.
     “A poesia prevalece!” me deixou arrepiada. A ficha caiu. Era realmente O Teatro Mágico que estava ali, na minha frente. Prestes a entoar as canções que mais me emocionam, que mais me tocam.  Sentada no chão sem qualquer calçamento do Circo da Cultura, eu pouco me importava se as pessoas achariam estranho me ver chorando, hipnotizada e depois rindo realizada.
     O Teatro Mágico subiu ao palco para mostrar aos leitores como a união de poesia, música, arte performática e humor é possível. E de maneira simples, arrancaram aplausos entusiasmados dos pequenos que assistiam hipnotizados a performance de Déinha Lamego no tecido e dos maiorzinhos, que tinham os olhos brilhando enquanto entoavam as composições de Fernando Anitelli. 
    Junto comigo estavam os meus Camaradas d’água Mateus e Vanne que, assim como eu , evocaram da sombra uma inquietude que só acalmava com o som da trupe. Partimo-nos em vários enquanto acompanhávamos as frases do show que pareceu tão curto, enquanto a porta do camarim virou ponto de conversa ou quando saímos como se fôssemos grandes amigos (acho até que somos).
     Eu precisava pegar algumas falas do Fernando para fazer uma matéria. Ser profissional naquela hora exigiu bastante esforço. Enquanto eu perguntava ou escutava atentamente o que ele falava, o microfone chegava escorregar na minha mão, de tanto que ela suava. Anitelli respondia com naturalidade e com gosto em dar respostas com conteúdo tremendo.  Mais que um cantor, sem dúvida. Um cara, um papo, um sopapo, um papelão. 
     Anitelli se mostrou simpático e muito acessível. Respondeu calma e pausadamente com riqueza de detalhes todas as questões por mim levantadas. Contou de onde surgiu a idéia da trupe, gesticulava o tempo todo enquanto me falava a maneira como tantos raros foram se agregando e me fazia rir com seu tique nervoso. As 'quebradinhas' de pescoço e piscadas apenas com o lado direito dissiparam todo o meu nervosismo.
     Sem contar a minha emoção, quando Fernando viu a minha tatuagem que tem escrito "A poesia prevalece", na panturrilha e disse que demonstrações como essa são de uma gratificação enorme para ele e o quanto essa frase é importante para ele.Uma filosofia de vida. Assim como para mim.
Foi um dos dias mais felizes da minha vida, tenho certeza. E só queria dividir com vocês.
Certamente não é dos meus melhores escritos, mas certamente, o mais carregado de emoção e satisfação.

O Teatro Mágico surgiu em dezembro de 2003, pela atitude de Aniteli que ao freqüentar saraus literários, ficava perplexo com a beleza da junção de manifestações artísticas que acontecia ali. E a idéia foi partilhada com amigos e amplificada indo, então, pra cima de um palco. A questão do palhaço surgiu um pouco mais tarde, com inspiração na “commedia dell'arte” numa tentativa de igualar o artista e o expectador. Transcender a barreira palco-platéia afinal, todo mundo tem um pouco de palhaço.
A Trupe
A trupe vem de Osasco e traz em seus arranjos frases que nos levam a reflexão, como em Zazulejo, que conta a história de pessoas que falam erroneamente algumas palavras e finaliza com a impactante frase “Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”. O Teatro nunca teve uma música no pódio das paradas de sucesso, mas acredita que o seu trabalho está sendo cumprido: “Mesmo que não esteja na mídia, está sendo produzido, está sendo consumida por alguém. Mesmo com tantos tipos de músicas que são ouvidas atualmente, sempre haverá gente tentando fazer música de resistência com letra bacana e um bom arranjo. E sempre haverá alguém que vai simpatizar e gostar” diz Anitelli. 
O vocalista ainda afirma que a internet acaba sendo uma concorrência direta com as rádios, pois divulga o trabalho dos artistas numa velocidade imensa, além de dar ao artista a possibilidade de ‘existir’. A rede tira o atravessador cultural deixando o artista frente a frente com o público. E isso é fundamental.

agosto 31, 2011

00


" E um dia ela viu
Aquela história de príncipe e cavalo branco 
era tudo pataquada. 
E se existe palhaço sem o vermelho no nariz
A história foi inventada!
E nunca vai existir o tal do final feliz, isso é fato"
NCS

abril 18, 2011

O adeus do Jacaré

 "E foi uma descoberta de um paraíso dentro do inferno. Porque o Brasil é um inferno e o Capingüi um paraíso"

João Carlos Tiburski, assim constava o nome do professor no comprovante de matrícula.
Tiba, assim era chamado por todos dentro da Universidade e da Faculdade de Artes e Comunicação.
Jacaré.Assim era chamado apenas por quem realmente gostava dele.
O nosso jacaré. Aquele que demorava pra entrar na sala de aula e saía tão rápido qeu a gente não via. Era um mestre, sabia muito o Jacaré. Ensinava muito mais nos corredores do que na sala de aula. Quanta coisa aprendi parada em frente a "A Vara" pertinho dos banheiros, quantas histórias eu ouvi enquanto tragava mais um cigarro no banco da FAC. Ele que vinha pigarreando e tossindo, sempre! e que me apresentou um tal pózinho que mais parecia café, que ele ficava cheirando e cheirando e dizia "isso aqui é pra não ter vontade de fumar ,jacaré" .
Ele que muito lia meus textos e sizia "Manda esse pro Crônicas, tenho certeza que vai" e eu mandei. Porque o Tiba disse. O jacaré falou. E quando o texto realmente foi selecionado, veio ele se oferecer para mostrar quantos votos de sim tinha recebido, e todo contente : "a tua vai ser ilustrada jacaré." 
Tivemos brigas também. Discussões políticas eram as mais fervorosas,realemente.Mas não tinha nem comparação com a fúria dos alunos que tinham aula no sábado de manhã. Era uma tal história de chegar as 8 e ir embora menos de duas horas depois. Cerca de 9:30 ou 9:40 da manhã, o Tiba começava a ficar ansiado e perguntar se já tínhamos entendido a matéria, se já havíamos terminado as atividades,afinal "Fim de semana é dia de ir pro Capingui,ir no sábado e voltar no domingo". E com aquele jeitão dele, ele conquistava os alunos. Conquistou a gente. Ganhou a gordinha. Mas nesse domingo, ele não voltou. Nadou pela última vez, ficou aonde mais gostava. Na água, aonde jacaré tem que ficar.
Ele, que era amante da boemia, da cultura, da leitura, das artes. O nosso Bukowski faquiano.Como disse meu colega Artur "Vai o mestre, ficam seus discípulos." Foi mais do que matéria o que ele nos ensinou, foi um estilo de vida. Ele nos ensinou a ser  mais que jornalista, nos ensinou a ser o jornalismo.
Vai com Deus Tiba, sei que você já deve estar tomando um vinho aí em cima, apenas esperando e esperando. Não é a toa que o tempo está assim, fechado, chovendo.O capingui está em luto.A FAC está em luto. O jornalismo brasileiro está em luto.
E nunca mais ninguém me diga que jacaré não entra no céu.

abril 04, 2011

Quase uma Ingra (:




“Tenho cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde foram para minhas ideias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.”
Martha Medeiros