junho 21, 2012

A deusa



E quando Zeus tomou aquela gota de orvalho nas mãos
E a transformou em uma mortal, chamou-a Filha de Atena.

Guerreira, empenhada nas causas justas,
Em lutar por todos
E ganhar!
Fazer da vida dos outros
Melhor
Enquanto a sua
Sequer existiria.

No lugar do coração, um vazio.
E a única companhia que tinha
Era o orvalho,  que desde sempre a acompanhara
E de quando em quando, escorria pelos seus olhos.
ICS

Não perde a pose linda, ergue essa cabeça



Não chora pra que não pareça que ele ainda mereça
Já dizia Projota.

Eu sempre recorro a ele quando me sinto chateada
ou com raiva
ou triste
ou feliz.


Eu sempre recorro.
Mas é impossível controlar as lágrimas
Principalmente quando você sabe que ele merece.

Ou acha.

Esquece.
E vai.

ICS

Olhos rasos


Sempre fora fascinada por olhos.
Claros, escuros
Fundos.

Principalmente os fundos
Daqueles de se perder
durante horas

Olhos fundos são como labirintos
Ela fica olhando, olhando...


Adentrando sem medo
aquele portal para o infinito

Sem medo de se perder
e ficar ali  para sempre
(na verdade, acho que é o que ela sempre quis)

Olhos são as portas para alma
-disse algum pensador um dia
E ela concordava plenamente
São as portas para a sua alma.

Se perder no olhar do outro, nada mais era
que a entrega para o infinito daquela pessoa.
A entrega dos sentimentos, sem falar nada
Sem questionar, sem cobrar
Às vezes até, sem amar.

Mania esquisita essa dela
Se apaixonava apenas por olhos rasos
E se perdia antes mesmo do labirinto
que nem existia.
ICS

junho 20, 2012

vinteeumdejunhodedoismiledoze


Era ruim de sexo
Mas sabia
Foder perfeitamente.

Com a vida
o emprego
os amores.

Ah, o amor!
Esse principalmente.
Sem sexo, sem beijo
e sem desejo
A fodelança corria solta.

Fazer o quê?
Esse era o seu dom.
E nada mais.
ICS

maio 21, 2012

Preto, arco íris e incompatibilidade religiosa

Haviam saído de relacionamentos difíceis quando se conheceram
E pelo sofrimento em comum, viraram amigos. Grandes amigos. Melhores amigos
E se apaixonaram.

Viveram o maior relacionamento (por amor) de suas vidas.
Não precisavam de anéis, exclusividade ou status em redes sociais para saber que se pertenciam. 
Amavam-se e isso era o suficiente.
Era visível para qualquer pessoa que com eles convivesse o quão forte era aquele sentimento.
Forte . Limpo. Puro. E feliz.
Feliz da maneira que era. Sem cobranças, obrigações ou limitações. 
Feliz por se verem muito mais do que como qualquer namorado: se tinham como amigos.
Amantes. Confidentes.


Se tinham em qualquer momento. Para qualquer momento.
Nas risadas nas escadas do prédio, nas escapadas de sala de aula para se verem, ao voltar para a sala como se nada tivesse acontecido. Ao expor o desespero em função das dívidas, ao chorar mágoas do passado,ao se ligarem com declarações mirabolantes quando, no meio da noite, o álcool tomava conta de seus corpos ou ao se proibirem de sequer pensar em futuro.
A própria palavra, em suas conversas, era proibida.
Ela nunca havia entendido.
Até hoje.


O futuro dele era regido pelo livre arbítrio do Senhor.
Que diz que teria de escolher alguém como manda o evangelho.
O livre arbítrio de amar ela, ela amar ele mas deixar o amor de lado por que um não enquadra no que diz a palavra d'Ele.
E ela não se enquadrava. Nunca seguira esse padrão.
Nunca se sujeitaria a cura proposta.


E num último beijo, salgado pelas lágrimas, se despediram
Se abraçaram tão forte e com tanto amor
Que eu, mera espectadora, sofri.


Senti que preferiam morrer ali, abraçados
a ter que se verem indo embora.
Senti como se anos tivessem passado

enquanto se abraçavam.


Ele riu do esmalte dela, como sempre
Ela riu sem saber do quê.
Já dizia aquela música do Frejat, que rir de tudo é desespero.


Desespero de perder tudo para algo não palpável
De ver um futuro que nunca existiria, escorregar entre seus dedos
De ver aqueles olhos verdes tão tristes
quanto os seus, cor de caramelo, estavam.
Desespero de amar, ser amada
Mas não poder ser feliz.


Se deram tchau, sem se olhar.
Cada um foi para um lado
Com uma bigorna de dor nas costas
e um punhal no coração.


Ela, que tinha a maquiagem preta borrada pelas lágrimas
Abraçou-me forte e disse
"Não me decepcione agora. Se me abandonar não tenho mais ninguém"
E não tinha.


-ICS

maio 18, 2012

Será que veta?

Por Ingra Costa e Silva

Uma áurea de bondade entorna o Brasil. “Veta Dilma, Veta tudo!”  dizem. Dizem, falam. Mas, se a presidenta vai escutar ninguém sabe. 

Para uma pessoa que milita praticamente desde o útero, é muito gratificante ver pessoas pensando não só no absurdo que é perdoar as dívidas dos desmatadores, mas no impacto que a nova medida defendida pela bancada ruralista causará ao meio ambiente. Porém, mal sabem que o buraco é (muito) mais embaixo.
Pouca gente sabe, mas a anistia já vem sendo executada desde o ano de 2008 quando, através de um decreto presidencial, Lula “perdoou” dívidas de muitos inimigos da natureza.

É importante lembrar que (infelizmente) um governo é baseado na troca de favores. Projetos são aprovados motivados por interesses. Sejam cargos, emendas ou votos trocados em algum outro projeto. Sempre foi assim. Mesmo que o Brasil seja governado por um partido que um dia já se disse “do povo”, o interesse da massa é o último a ser levado em consideração.

A presidenta não tem interesse algum em aprovar o projeto. O modelo de governo que o PT segue é totalmente contrário à preservação ambiental. O país está seguindo um modelo de governo atrasado, ignorante e destruidor.  Belo monte é muito mais que um exemplo dessa ideia. Aonde povos ribeirinhos, indígenas e uma diversidade imensa de animais foram deixados de lado em nome do lucro, do capital. Para Dilma, o veto do código é o rompimento de uma política que vem sendo praticada há décadas. Porém, com a pressão popular aumentando violentamente a cada dia, levando Dilma a se sentir constrangida em alguns momentos (como num pronunciamento oficial em que a atriz Camila Pitanga quebrou o protocolo falando Veta Dilma) acredito que a senhora (não mais) do povo possa estar cogitando a ideia.

Jogo de interesses por jogo de interesses, o povo não esqueceria o veto. Sem contar que as Olimpíadas e a Copa do Mundo estão aí. O mundo não ficaria nada contente com manifestações nas festas geradoras de milhões. Além disso, o Brasil também não gostaria de ficar com título de país que odeia o meio ambiente.
Mais do que nunca, é hora de mobilizar. Os jovens com coragem pra mudar a realidade estão se unindo e se politizando, fazendo questão de entender o código por trás do que a grande mídia mostra. Pintando a cara e saindo às ruas para pedir em coro “Veta Dilma!”.

Veta, e não nos envergonhe mais.

maio 15, 2012

Do veneno que sai de mim


E manter a língua afiada
Era, para ela
uma distração.
Melhor:
uma compensação
pelo coração já atrofiado.

Sobra dum lado
Falta do outro.

Que venham todos 
os questionamentos do mundo!
'Sentimentos?'- Questionou o espectador
-Aqui, este assunto é proibido. 

                                     -ICS   

Que eu vejo nas lágrimas alheias

E quem bebe, solta o coração.
Fala mais alegremente
Ri mais
Chora mais
E liga pra pessoa certa.
Ou incerta.

Ou aquela que, acima de tudo, faz você tentar se enganar
todos os dias de que não daria certo.
Mas é o número dela que você disca.
Sempre.

A solução é esquecer.
Não. 
A sua única saída foi nunca mais beber.

Mas se um dia o álcool 
à sua boca retornar
Ela estará esperando
(ansiosa)
o telefone tocar.
-ICS

maio 11, 2012

Do que eu vejo dentre as nuvens


No meu sonho, eu era mais magra e você também.
Você tinha mais cabelos e eu, menos.
Tínhamos dois cachorros, 
um pequeno aquário redondo com um peixe dourado
e para o seu desgosto, um gato.

No meu sonho, a gente tinha uma casa. 

Pequena, mas linda.
Na cozinha, cortinas com desenhos 

de mimosos cupcakes
Na sala, um casal de amigos rindo 

e jogando videogame com você
Na cozinha, eu de avental, 
tendo um momento ‘love cooking’.
Seguro uma forma, ainda quente, com bolinhos enfeitados. 
O amigo lariquento,que espera a vez de jogar
rouba um deles.Queima o dedo.
Derruba o bolo no chão.
Você ri
“Que deselegante”, diz o casal no sofá.

No som, Beatles
Na casa nossa alegria de viver.
Na vida, nós.
Nunca mais quero mais acordar.


Bom dia.
-ICS

maio 09, 2012

Da minha solidão pensante

Ela era a pessoa mais difícil de agradar do mundo...
Não. Não era.
Para deixar ela feliz, bastava algumas gomas coloridas

brigadeiro e bexigas em tons pastéis.
Poemas escritos com garranchos de pressa num papel de pão
e o coração entregue.
Mas não como quem atira uma pedra na janela,
de forma violenta, que estilhaça o vidro.
Mas como quem segura uma flor.
Que carrega ela cautelosamente, 

desde a loja até o destino final.
Para que nenhuma pétala se perca no caminho.
-ICS

maio 01, 2012

Da política que me consome


E eu, que outrora escrevia feliz e empolgada
o meu projeto final
Não consigo pensar em mais nada. 

Jango, Costa e Silva, Castelo Branco
Militares, burguesia, Igreja Católica
Torturas, prisões, imprensa falha...
Nada segura minha atenção.

Minha cabeça, teimosa, insiste em manter o foco
em algo que não se enquadra.
Não agora, não pra isso.
E eu faço força para deixar de lado...

Mas é impossível fingir que de 1930 a 1945
é irrelevante, é indiferente
quando no fundo
é só o que me importa.
-ICS

Quisera eu levar


Mas a mala
não consigo fechar.

Por mais que insista ou tente.

Acho que vou me virar (não muito) bem

E nunca mais
falarão que eu não sei assoviar.
-ICS

abril 30, 2012

Do assovio que não escuto














E ao invés de engarrafar a saudade
Travo uma batalha interna e diária.
Vou à luta!

da minha alma e do meu coração...
Tento derrubar a injustiça dos meus sentimentos

que insistem em prevalecer sobre os pensamentos.
Prevalecem mais que a poesia
essa, que sempre dominou a minha vida.

E eu já não sei nem como proceder.
Não sei assoviar
e pra foder de vez

esqueço-me.
Toda hora, todo tempo.
Não entendo...

Perdoe-me:
por ora não terei mais bombons para roubar.


Let it be.
-ICS

abril 29, 2012

Das dores que eu sinto



E agora, nem o GreNal parece ter graça
Sem ele para brigar.
E para acalmar
Somente uma carteira de cigarro
(por dia)
e a morte lenta que ela traz.
-ICS

Do muro que construí


E as vezes você sofre tanto, mas tanto
Que constrói um muro
para te livrar dos maus.
O problema disso
É que também afasta os bons.
Os assusta.

E eles fogem.


-ICS

Desconvencional



E ela chegou em casa com um buraco no peito
decidida a fazer uma panela de brigadeiro 
e assistir PS Eu Te Amo.


Abriu uma cerveja,

colocou os pés na mesinha de centro
e assistiu UFC.



Enquanto acendia seu cigarro

tinha certeza que não era uma mulher convenciona.l
E nem queria ser.

-ICS

abril 14, 2012

E por falar na minha vida


E quando eu estou muito, muito triste
Eu me tatuo
Eu fumo
Tomo  um whisky
E mando tudo pra puta que pariu.
-ICS

Olhos secos


E se você guardasse
Todas essas minhas lágrimas que você derramou
num potinho
Trocasse-as por corações de açúcar
E me devolvesse um dia?
Um dia...
Quem sabe um dia.
-ICS


abril 13, 2012

Náufrago



Um barco de papel
foi o presente que ganhei
daquele moço.
Mas barcos de papel,
apesar de n'água flutuarem
quando muito tempo nela, afundam.
Viram nada.
Assim como eu:
na saliva dos teus beijos.
-ICS

Sarau

Poesia, meia luz, amigos e um violão.
Uma gaita
Um chocalho que parece um ovo.
Castanholas
Nada do mais do mesmo.
E felicidade. Muita felicidade.

abril 12, 2012

E por falar no que eu vi...



E ela chorava, e se rasgava por dentro
Enquanto muda, ouvia Jobim e tirava o esmalte descascado as unhas.
Por coincidência, aquele era o esmalte que ele achava horrível.
Mas ela gostava tanto...


Crueldade era pouco para classificar a atitude dele
Aquela música que arrancou risadas de todos os outros
Foi como um punhal no coração dela. Mas só ela sabia.
Só ela sentia
Só ela viu, a maldade por trás daqueles versos ‘divertidos’

Só ela chorava, agora, sozinha no quarto.
Ouvindo por milhões e milhões de vezes a poesia 
que declamou com um sorriso no rosto, olhando para ele,
Enquanto no lugar do seu coração:
Apenas um vazio.
E a dor da humilhação.

abril 11, 2012

E por falar em opinião


Enquanto você morre pelo seu deus, 
eu me proponho a morrer para que todas as pessoas vivam em pé de igualdade.
Enquanto você canta, dança,grita e seilá mais o quê,
eu luto por uma sociedade justa. 
Para que os teus, num futuro talvez próximo, 
não passem necessidade por que a minha atitude fez a diferença.
Vai orar vai.
Que eu vou tentar arrumar toda essa cagada;

Se só rezar mudasse o mundo não existia gente passando fome.
Nem morrendo em filas de hospitais.
Nem analfabetas, nem moradores de rua...

abril 09, 2012

E por falar em perda I


É difícil perder pessoas. Ainda mais, quando as perdemos pra sempre.
Por mais que saibamos que a morte é a única certeza da vida, sempre é difícil.

Nós, seres humanos, somos a espécie que pior sabe lidar com a morte. E talvez a única que tenha certeza dela.

Hoje eu vi pessoas chorando, desmaiando, brigando, gritando e em estado de choque. Mas nada disso fez o defunto ressuscitar e muito menos, levantar pra dar um olá.

Ele continuou ali, inerte. Sustentando seu farto bigode. Bigode esse que antes servia de moldura para um largo sorriso. Hoje, apenas era um chumaço de pelos no rosto morto de um homem.

É difícil lidar com a morte, como é. Mas não adianta, meu amigo, vir chorar depois que o espírito abandonou a carcaça. Não adianta prestar homenagens e gritar que ama, depois que o que resta é apenas um corpo já desfalecido.

Por isso meus amigos, visitem seus entes enquanto respiram,sentem e podem falar com você. Falem o que sentem e o quanto se importam enquanto eles podem saber de todos os teus sentimentos por eles.

E no meu velório (esse dia vai chegar) eu não quero absolutamente NINGUÉM que nunca me visitou/ligou/faceboqueou ou algo do gênero. Nunca se importou quando era vivo, que que quer pagar pau depois de morto?

abril 07, 2012



E então hoje é o verdadeiro dia do jornalista. São tantos distribuídos no decorrer do ano que o verdadeiro dia passa batido. O Dia do Jornalista é comemorado dia 7 de abril no Brasil, em homenagem ao médico e jornalista João Batista Líbero Badaró, brasileiro de origem italiana, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, no dia 7 de abril de 1830. O fato ocorreu durante uma passeata de estudantes em comemoração aos ideais libertários da Revolução Francesa. Além de, ser o dia da fundação da Associação Brasileira de Imprensa.

Histórias a parte, hoje é dia de comemorar o quê?
Comemorar a censura invisível? Comemorar o número infinitamente grande de profissionais robôs? Comemorar a imprensa de direita que manda no país? Comemorar a discriminação interna com algumas editorias? Comemorar o baixíssimo salário?
É difícil ser jornalista quando as instituições te ensinam técnicas utópicas de jornalismo e, que a meta da sua vida deve ser entrar num grande veículo aonde, na maioria das vezes a realidade e a informação é manipulada/manipuladora. Um profissional realmente ÉTICO e que traga a verdade à tona. Mostrar realmente o que está acontecendo sem pender pra lado nenhum? Isso sim é impossível. Para mim, o grande problema é que, o lado mostrado geralmente pende para o interesse da minoria rica e não, da maioria trabalhadora.
Ser um jornalista militante então? É o pedido do seguro desemprego. Ou a (rara) contratação por algum sindicato. É difícil hoje em dia, ser um jornalista com opinião própria quando existem interesses dos grandes patrões por trás de tudo que o veículo transmite. É quase impossível resgatar os valores históricos da profissão, como jornalistas com posicionamento e atuação política.

Tudo isso é realmente muito difícil.
Mas nunca gostei de nada que é fácil.  
E acredito que, mesmo com todas as dificuldades, ainda há esperança. 
E eu a busco nos olhos de cada pessoa que eu entrevisto. Seja a pauta que for.
Em cada (raríssima) denúncia que é feita através de qualquer veículo.
Em cada matéria bem feita.
Em cada boa história que passa despercebida pelos olhos quase de todos: menos ao olhar atento dos verdadeiros jornalistas.
Parabéns a todos os jornalistas que acessam o meu blog.

março 30, 2012

trintademarçodedoismiledozeII


Acho que passei uma boa parte da minha vida andando de ônibus.
Seja para ir à aula, trabalhar ou viajar para visitar alguém. E hoje, não foi diferente.
Nos meus fones, uma música lenta. Assim como o meu estado de espírito.
Nas mãos, meu bloquinho e meu celular.
Na mente, nada.
Então, alguém tocou meu braço, olhei sem pensar em nada e tirei meus fones.
Era um moço de olhos azuis. Um azul lindo.
Tão lindo que era triste.
Tão triste que era lindo.
Assim como todos os sinais que marcavam seu rosto jovem. 
Sinais de tristeza. De sofrimento.
Na mão esquerda, uma aliança de um dourado quase amarelo, bem fina.
E na esquerda, uma caixa de gomas.
“É um real, moça.”
Abri minha carteira, tirei uma moeda dali e lhe entreguei.
Em troca, um pacotinho dos doces.
E ele continuou oferecendo a todos que estavam no ônibus.
Pessoas que estavam indo para suas casas, suas escolas, seus trabalhos.
E mais ninguém comprou.
Um real. Era só esse o preço das balinhas que eu comprei com uma simples moeda.
Mas eu queria tanto que ele soubesse que naquela moeda que lhe entreguei, estava depositada toda a minha esperança de que ele conseguisse sustentar a esposa que deve ter uma aliança brilhante igual à dele. E talvez os filhinhos que eles possam ter. E quem sabe cães, pássaros ou gatos que vivam lá também.
Ou ninguém. Pois talvez o aro dourado fosse só mais um anel.

Aquela era uma das minhas últimas moedas.
Mas naquela moeda, tinha toda a minha admiração por aquele trabalhador.
ICS