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julho 11, 2013

Era um 12 anos

O barulho das teclas da máquina de escrever ecoavam dentro da velha casa de madeira.
Na mesa, algumas folhas amassadas e um copo de whisky. 
Mulheres não costumavam beber isso. 

Mas ela não costuma ser como as mulheres.
Fumava. Bebia. 
Fodia com quem queria.
E sofria.

Sofria como nenhum cachorro sarnento de rua jamais sofrera.
Agoniava.

Toda vez que lembrava de seus amores era como se suas vísceras fossem arrancadas com as unhas afiadas de uma águia.

Tec tec tec.
Seus dedos que procuravam letras freneticamente quase sangravam.
E ela preferia que fosse assim.

Quem sabe com o sangue escorrendo das mãos, a dor seria direcionada.
Pois já não aguentava sua alma mergulhada em agonia.

-ICS

abril 25, 2013

48 cores


Limpando o quarto encontrou uma carta antiga..
Não escrevera a carta a mão.
Quando a ganhou, ficou chateada.
Queria guardar as letras dele.

Queria aqueles infinitos erros de português que tanto a perturbavam
Com o teu toque direto no papel.
Queria cheirar aquela folha e sentir teu perfume único.

Colocou todo o pouco que tinha 'de nós' dentro de uma caixa.
Guardou as lembranças para que, nas madrugadas solitárias
Secretamente releia e reviva tudo de bom que viveram.

Nunca fora boa com sentimentos.
Sempre os canalizava de forma errada.

Fugia.

O desejo de que o dia passasse logo para o ver
Virava uma desculpa para não vê-lo.
A vontade louca de tocá-lo
Transformava-se no telefone que tocava até a ligação cair.

O desejo de tornar o romance oficial
Foi traduzido com passagens só de ida para o litoral.

Sempre fizera tudo errado.
E sabia disso.

Mas só queria a letra feia num papel
O cheiro no travesseiro
E uma argola brilhante no dedo.

Mas fugia.
Sempre fugia...

Ao menos ainda guarda a caligrafia
-dizendo que colore sua vida-
Gravada na alma.

-ICS