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março 13, 2010

Faço minhas as palavras de Sant'Ana

O ombro amigo.

"De que matéria e substância é feito um amigo? Como pode um estranho equiparar-se a nosso pai e a nossa mãe, até mesmo sobrepujá-los em lealdade e dedicação?
Que amálgama une um amigo a outro? Em que mistura de elementos se alicerça afinal uma amizade?
Não há dúvida de que a amizade suplanta o amor por não correr o risco de ser efêmera.
É essa perenidade que diferencia a amizade do amor e a faz mais nobre que o amor.
Quando cessarem todos os recursos, quando ficar de prontidão a voz dos necrológios para gritar que você morreu, ainda restará na última cidadela de proteção um amigo.
O amigo é o mais sólido, o mais imarcescível abrigo contra a solidão devastadora.
O grande óbice ao desespero é um amigo, o único obstáculo ao suicídio é um amigo.
Por que ele é amigo, não se saberia dizer. É amigo como um cão fiel, sem motivo, trata-se de uma simples escolha.
Há pessoas que nasceram para ser amigos. É da sua natureza ajudar, amparar, estar ao lado, construir, velar, mourejar em pura amizade.
O amor também se diferencia da amizade porque esta é absolutamente desinteressada.
O amigo ajuda o outro amigo porque esta é a sua missão, a de dar sentido à vida do outro.
No amor, um dos amantes ama o outro porque a felicidade do outro fá-lo lucrar.
Na amizade, um amigo ajuda o outro sem lucrar nada, apenas para ajudar, amparar, diligenciar.
Mil vezes, se eu tiver de escolher, preferiria ter um grande amigo a um grande amor.
E, se eu tiver um grande amor, ele sobreviverá aos tempos e se tornará perpétuo só no caso de que ele se transforme em uma grande amizade.
O amor é temporal, a amizade é eterna.
Se me faltarem todas as forças, se todos os elementos que me mantêm erguido soçobrarem, ainda assim permaneço em vida e prossegue acesa no meu coração a chama da esperança, se um amigo existir.
A vida só pode cessar quando faltar um amigo. Um amigo é infinitamente mais útil que a riqueza, o luxo, a fartura e a ostentação.
O maior tesouro da vida é um amigo.
A maior e mais importante desgraça é a falta de um amigo.
Cultive um amigo, se é que se possa cultivá-lo, se é que essa atração que o move não seja simplesmente natural e espontânea.
Agradeça ao seu amigo, embora ele exista independentemente de qualquer agradecimento ou homenagem. Quando se dedica, não está em busca de gratidão, ele só é amigo porque é da sua vocação telúrica a amizade.
Procure saber se você tem, no seu círculo de amizades, um amigo.
Se o tiver, só assim a vida terá sentido."







Certamente,eu assino embaixo de tudo que o Sant'Ana falou escreveu...E essa é uma humildíssima "homegem" aos meus qeuridos amigos,alguns constam nestas fotinhos, outros não, mas certamente quem é sabe...e também sabe o qeunato eu os amo, e que sempre poderão contar cpom a  gordinha...
Obrigado Deus, por ter colocado no meu caminho todas essas pessoas maravilhosas as quais eu digo com todo o orgulho do mundo : MEUS AMIGOS!

outubro 29, 2009

Manias

"Tenho horror a chamados, principalmente da campainha da minha casa ou do meu telefone celular.

Quando um dos dois toca, estremeço: ali vem notícia ruim.
***
Nunca a campainha da minha casa tocou para surgir uma pessoa que vá me ajudar.
Quase sempre a campainha da minha casa toca para me pedirem ajuda.
E o meu telefone celular quase sempre toca para me trazer uma má notícia.
***
Já tentei jogar fora o celular e tentei desligar a campainha da minha casa. Mas não consegui.
Parece que estou viciado em más notícias, acostumado a complicações.
***
Assim é uma mania que tenho nas sinaleiras. Há dias em que estou para não dar esmolas. Saio de casa com a firme determinação de não dar óbolos para ninguém.
E, por mais que me peçam ou implorem nas sinaleiras os mendigos ou inconvenientes, não dou esmola para nenhum deles.
Mas há dias em que dou esmola em todas as sinaleiras. São 17 sinaleiras da minha casa até Zero Hora. Então, separo 17 moedas e as guardo para dar aos pedintes.
Há dias em que estou tão à flor da pele, que, quando o mendigo me ataca na sinaleira, sinto ímpetos de sair do carro e deixar o veículo para o mendigo dirigir e fazer dele o que bem quiser, até mesmo vendê-lo.
E há dias em que brutalmente fecho o vidro do meu carro quando me aproximo da sinaleira. Não quero saber de mendigos.
Definitivamente, eu sou um ciclotímico.
***
E há dias em que estou para conversas. Chego a atacar pessoas para conversar com elas. Deito e me reviro nos assuntos.
Mas há dias, em contrapartida, em que não quero falar com ninguém, só quero ir pra casa fumar e dormir.
***
E, estranhamente, há dias em que estou para pagar contas. Pago tudo que está para ser pago, pago até contas atrasadas, acrescidas dos malditos juros.
Mas há dias em que me recuso de tal maneira a pagar contas, que não pago nem as contas que vencem naquele dia e vão me causar problemas de quitação depois.
Não pago, não pago e... pronto: vão cobrar do diabo!
***
São manias que tenho e não sei por que as tenho.
São manias, são princípios, enlouquecidos princípios.
Por exemplo, outra mania que tenho: nunca janto fora aos domingos e às segundas-feiras. Não adianta, se os jantares são em festas que caem na segunda ou no domingo, deixo de ir à festa.
Nos outros cinco dias da semana, saio para jantar fora em todos eles, estou gordo acho que por essa mania.
***
Mania é conduta que não se explica. Esta que tenho de só pegar e acender o isqueiro, sempre, com os dedos da mão esquerda, eu que sou destro, não tem explicação.
Outra mania que tenho, quando falando comigo uma pessoa joga perdigotos em meu rosto, delicadamente pergunto a ela se tem lenço. Ela pergunta por quê. E eu respondo que é para limpar os perdigotos que ela lançou no meu rosto.
Sei lá por que nós temos manias..."

E me diga:você não se identificou com pelo menos duas destas manias? :D