março 21, 2013

E o medo da morte faz pensar


Dormi preocupada essa noite
Fiquei pensando nos filhos que não tivemos
No vestido de noiva que não usei
No pagode que não tocou
Na promoção que eu não tive
E no aumento que você não ganhou
Na viagem que não fizemos
E no colo que você não me deu
E no colo que você não me deu
O colo...

E você:
Também tem medo da morte?

-ICS



Ficar doente e outros devaneios



Sempre precisei ser forte. Transpareci força e pulso firme desde muito nova. Ser a pessoa que ampara os outros, que dá colo, que cuida.

E sempre gostei dessa imagem de força. Ser reconhecida e associada à imagem de guerreira, de mulher que não se entrega. De ser o sexo forte. Acima de qualquer imagem, ser assim. Sempre fui.

Mesmo sendo a caçula, desde muito nova precisava resolver os problemas da família. Apaziguar conflitos, decidir o futuro dos 4 Costa e Silva’s. Inclusive, quando viramos 5.

E assumi a responsabilidade com gosto.

Fiz questão de ser uma Rocha. De segurar as pontas quando tudo parecia estar perdido.

De, do alto da minha ogrice, usar palavras doces para confortar quem agonizava em dores e conflitos existenciais.

Mas mesmo a mais resistente das Rochas, um dia quebra, racha. E ficar doente, sem dúvida é algo que eu não sei.

Passando por problemas de saúde, percebi o quanto ser assim pros outros faz com que as pessoas não saibam como te amparar quando for a sua vez de receber um colo.

Ser a Rocha, a forte, coloca-te numa posição de intocável. Uma vez nessa posição, dificilmente saberão como tratá-la como a pessoa que deve receber o afago, o amparo, a força para que consiga seguir adiante.

Toda vez que fico doente, torno-me meio filósofa. E nessa filosofia inútil chego sempre a mesma conclusão: quem nasceu para ser rocha, nunca há de ser o diamante que fica acomodado na caixa de veludo vermelho.

março 19, 2013

Durma bem

Repousando sobre teu peito,
Acordei assustada.
-tivera um pesadelo-

Demorei a situar-me
E já em mim
Vi-me congelada a te mirar.

Teu rosto de anjo adormecido
Virado para mim
Como se tivesse dormido a me vigiar.

Vigiar
Cuidar
 Zelar.

Odeio admitir, mas lá no fundo
Até que eu gosto de ser a tua pequena.
Zele por mim, mais belo dos anjos.
Boa noite.

-ICS


março 16, 2013

Chave mestra

Reencontrei a tristeza.
Abracei-a fortemente
Senti seu perfume familiar
E no seu hálito, café.

Abracei apertado
Um abraço dolorido,
Molhado das nossas lágrimas.

Peguei-a pela mão
E caminhamos até a porta.
Pedi de volta a chave da minha alma
Disse adeus e fechei a porta.

Estou livre!
(O que não é visto não é lembrado)

Agora é só voltar a viver
Dançar e cantar
Na esperança de que a tristeza
Não possua uma chave mestra.
-ICS

março 13, 2013

Já menti por ai, já falei que não te amei

O precipício dos teus olhos
E os poucos segundos que mirei teus lábios
Foram suficientes para levar-me
(novamente)
Ao  fundo do poço.

Na lama, tentei desvencilhar-me 
Da dor que me consumia
Do choro que lavava minh'alma 
E fazia arder as feridas mal cicatrizadas

Dói lembrar da escuridão.
Anoiteceu...

ICS

março 01, 2013

Esclarecimentos

E eis que os leitores me perguntam:
-Estás apaixonada?

E sem hesitar respondo:

-Mas é claro que sim! Poetas são eternos apaixonados!
Se não por amores seus, por amores inventados.

-ICS

Verdades


-Você no seu no seu quarto, com estes óculos de Janis Joplin, esse cabelão...
Sentada na cama e tomando uma cerveja... 
Puta que o pariu! 
Me diga qual homem não apaixonaria?


- Digo sim:
O único que eu queria.

-ICS

Felicidade momentânea

Um encontro furtivo
Um beijo, dois.

O desejo pulsando no meu íntimo.
Sou tua
E por alguns instantes
És meu.

Cada gota de suor
Cada pêlo do teu corpo...
Inteiramente meu.

Com a respiração acelerada
Beija-me novamente.

Veste-se
E parte.

Ainda sou tua
Adeus.
-ICS

Da moldura do teu rosto

Não é que fosse preconceituosa
Mas não conseguia fazer amor
Com homens sem barba

O rosto liso
Em nada lhe atraía

Gostava da virilidade dos pêlos no rosto
Raspando-lhe a face
O pescoço
Os ombros

Arranhando-lhe o colo
E o ventre

Perturbando-lhe a mente.
Só
(a)
Mente.

-ICS

Falsos poemas

Se não cantaste em belos dias
Não seria agora
-em tempos de escuridão-
que para mim entoaria tua voz.

Guarda para si as notas de solidão
Perdeste o tempo de cantá-las

Não perca mais vida
Pare de escrever estribilhos para me agradar
-ICS

Corax

Sinto saudades de ti
Saudades de nós.
Queria dizer
“Volta! Fica comigo pra sempre?”
Mas eu já sei tua resposta.

E então me calo
E remoo todos os meus sentimentos.
Mastigo-os muito bem
E engulo.

Quintana tinha borboletas
em seu estômago.
Já eu
Tenho corvos.
-ICS

fevereiro 26, 2013

Não fuja da luz

E no fim do túnel, uma luz.

Aquele que você menos esperava
Foi quem te amparou.

Com aquele sorriso malandro
Traz pingos de felicidade
A todo tempo, sem folga.

Sem esforço algum.
Na simples missão de existir.

E ainda bem que você existe.
-ICS

Só por um momento

E eu li em algum lugar
para não gritar minha felicidade
pois a inveja tem sono leve

Li e reli a frase
Ri alto

Nenhuma inveja
Tira esse sorriso do meu rosto
E nem do seu...

-ICS

fevereiro 19, 2013

Luz no fim do túnel




Era uma pessoa
Que emanava tanta
Energia positiva
Que a luz do seu sorriso
Clareou a minha vida
E me salvou do breu.

-ICS

fevereiro 08, 2013

Tanta dor por motivos banais


Brigas por nada, ofensas de graça
Dizia a tua música predileta que eu estraguei
Que tocava no ônibus enquanto eu ia trabalhar

No banco ao lado
Um negrinho igual o nosso
-que nunca nasceu-

Nos meus olhos
O brilho de uma lágrima.

No meu peito
A saudade de um futuro que não existirá.

-ICS

fevereiro 06, 2013

E então você percebe

Que ainda é
Pateticamente apaixonada
Quando se pega dormindo
Cheirando a peça de roupa dele
Que ficou na tua casa.
-ICS

fevereiro 04, 2013

Gotas de Clarice

Ninguém disse que seria fácil


Estão sendo dias difíceis, moço.
Atirar-se em outros beijos
Mergulhar na ilusão alcoólica
De que posso te esquecer.


Estão sendo dias difíceis, moço.
Deixar de lado teu hálito de café
Teu cheiro de banho
E teu cabelo pixain
Tão bom de acariciar.


Estão sendo dias difíceis, moço.
Esquecer o calor dos teus braços
A destreza das tuas mãos
Ao passear pelo meu corpo.
De leve, com calma.


Estão sendo dias difíceis, moço.
Esquecer teus suspiros
Perto do meu ouvido
E quando me envolvia
Com teus braços cor de café.


Estão sendo dias difíceis, moço...
Mas ninguém disse
Que ia ser fácil.

-ICS

fevereiro 02, 2013

Me lava

E todas as vezes que Iansã vê
Que o desespero me toma
Manda um temporal
Para lavar a minha alma.

Um dia um sábio disse:
-Filho de umbanda não cai-
E hoje, não seria diferente.

Me lava, 
água.
Me leva.

-ICS

janeiro 30, 2013

Ponto

Ele disse que me amava...
Mas nunca soubera meu chocolate predileto
Nunca tocou violão pra mim
e nem cantou comigo.

Não me mandou flores
Nem pediu em namoro
Ou ofereceu um risco de prata 
para contornar meu anelar.

Nunca me segurou 
Enquanto o mundo ruía
Nunca me assegurou ser tua
...
Nunca me teve.
E não mais terá
.

-ICS